Aperte "Enter" para pular para o conteúdo

Tag: SESC-SP

Corpos para remixar, corpos de ecologia escura e máquinas inquietas

No dia 14 de junho eu participei da mesa Um corpo para remixar: frankensteins, fadas e ciborgues com Diana Passy e Kim Doria e mediação de Deborah Happ, que integrou o evento O FUTURO É O CORPO, A TECNOLOGIA É O PRESENTE, no SESC Avenida Paulista.

Meu melhor ângulo de foto é sempre aquele que minha cara não aparece, risos.

Veja mais fotos na página do evento no Facebook.

O evento também teve outras duas mesas com as discussões Como se constrói um mundo? e Como ler e escrever ficção científica e fantasia no Brasil? e as oficinas de criação Ciborgues e escrita criativa com Geruza Zelnys e Zine é coisa do futuro com Aline Valek. O áudio das mesas foi gravado e será editado e publicado pelos lindos do podcast Curta Ficção.

Eis as questões que a Deborah Happ mandou pra gente com antecedência:

1. Na ficção científica, é comum vermos “melhorias” nos corpos, tanto tecnológicas (como em Mad Max, Neuromancer, Matrix, etc) quanto orgânicas (Frankenstein, Aniquilação, etc). Como vocês vêem a relação do corpo orgânico com o tecnológico na literatura?
2. A ficção científica é um terreno fértil para romper paradigmas e estereótipos. Como isso ocorre no corpo, tanto físico quanto social?
3. Como vocês enxergam o corpo na ficção científica hoje? Quais os desejos para os corpos do futuro?

Eu tinha anotado uma série de tópicos para abordar e acho que não falei nem metade (obrigado, memória; ou talvez nem desse tempo). Mas fiz questão de não esquecer de falar de Frankenstein não só pelo aniversário de 200 anos da publicação, mas porque o texto era super relevante para o papo: a violência e a rejeição ao corpo visto como grotesco independente do comportamento dócil; a marginalização resultante disso; a responsabilidade científica e social de quem cria (seres, algoritmos, sistemas de vigilância). Ficaram de fora alguns conceitos que eu queria ter discutido tipo a questão de quais corpos/mentes possuem um telos e, se IAs possuem telos programados por nós, o que isso significaria se elas adquirissem consciência (ou uma outra maneira é observar quais corpos/mentes ganham status de pessoa ((e sob quais circunstâncias)) e quais podem relatar suas próprias experiências e serem ouvidas); e a sympoiesis de acordo com Donna Haraway. Eu mencionei a questão da nossa consciência não se localizar/manifestar apenas no cérebro e sim no corpo inteiro com participação importante de comunidades como a flora intestinal, então pelo menos um pouquinho de sympoiesis eu falei–esse tornar-se numa bagunça multiespécies. Daí a impossibilidade de capturar uma mente (ou a representação dessa mente) e transformá-la numa cópia digital não-localizável. Queria ter falado um pouco de Ghost In The Shell e as abordagens filosóficas às dualidades de mente e corpo, a crítica à desfragmentação do eu na rede e os limites difusos entre corpos orgânicos e corpos ciborgues. Estou revendo o seriado de GITS (Stand Alone Complex) e cada episódio daria uma mesa de discussão inteira. Talvez eu começasse pelo episódio 15, que faz referências explícitas à obra O Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia, de Gilles Deleuze e Felix Guattari, desde o título “Machines dèsirantes” até uma das tachikomas que não só está lendo o livro, mas menciona conceitos como “corpo sem órgãos” para as outras máquinas. Queria também ter entrado mais na interpretação de Root (de Person of Interest) como personagem agênero e sua relação transhumanista com a Máquina, mas eu nem terminei meu raciocínio direito quando falei do seriado porque eu sou uma derrota para falar sem me perder. Então ficam aí meus pensamentos desconexos no éter do que poderia ter sido.

Leia o resto do post no Mural do Apoia.se, a partir de apenas R$ 2 por mês.

Comentários encerrados