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Tag: metanfetaedro

Capa da FRACTAIS TROPICAIS, as mudanças no Metanfetaedro e uma babadinha em Legion

Lembram que eu falei que meu conto Metanfetaedro seria publicado numa coleção de ficção científica brasileira? Recentemente mandaram a arte de capa e tá liberado divulgar, então olha aí essa beleza holográfica e mira o nome dos autores:

Arte de capa da antologia Fractais Tropicais. Clique na imagem para ver em tamanho maior.

A antologia FRACTAIS TROPICAIS – O MELHOR DA FICÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA foi organizada por Nelson de Oliveira e será publicada pelo SESI-SP.

Leia o texto da orelha, por Ramiro Giroldo, e depois eu conto um pouquinho sobre as mudanças que fiz no Metanfetaedro.

Esta antologia serve como uma nova prova de que a literatura brasileira é rica e diversa, dona de facetas insuspeitas. Sim, há ficção científica brasileira, e ela é fértil e digna de toda a atenção. Pode ser agrupada em “ondas”, eixos historicamente delimitados de produção e recepção. Trata-se de uma opção de valia para um primeira contato, observando-se que as ondas se interpenetram – caso da produção de André Carneiro, por exemplo, que atravessa boa parte da história da ficção científica brasileira.

Para além dos clássicos justamente sacralizados, há uma infinidade de seres estranhos que habitam o difuso limiar entre o conhecido e o desconhecido. Visíveis apenas aos olhares mais atentos, ignorados (às vezes intencionalmente) pela nossa crítica literária, há décadas e décadas caminham entre os brasileiros esses seres que firmam um pé no presente e outro no futuro. Ou um pé no Brasil e outro nas galáxias além. Ou um no mundo palpável e outro nos confins do ciberespaço. Ou… São incontáveis as possibilidades que esses seres podem nos apresentar, pois a ficção científica tende a esgarçar as fronteiras do que conhecemos. Mesmo quando as narrativas são ambientadas nos nossos arredores, algo de diferente se intromete no cotidiano, renovando nosso olhor e ampliando nossa imaginação para possibilidades outras. Esses seres tão estranhos têm muito a mostrar; basta dar a eles a oportunidade de falar – oportunidade que tradicionalmente tem sido negada pelo nosso conservador ambiente literário.

Alguns dos mais significativos desses seres mostram seus contos nas páginas de Fractais Tropicais. Se não os conhece, eis aqui um panorama dos autores de ficção científica brasileiros.

— Ramiro Giroldo. Professor de Literatura Brasileira da UFMS. Autor do livro Ditadura do Prazer – sobre ficção científica e utopia.

Reconfigurando as geometrias do Metanfetaedro

Atenção para pequenos spoilers se você não quiser saber o que tem de diferente nessa versão do conto.

Leia o resto do post e veja mais fotos no Mural do Apoia.se, a partir de apenas R$ 2 por mês, e fique sabendo das mudanças que fiz no Metanfetaedro e também por que eu acho que ele se encaixaria num episódio de Legion.

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Saiu resenha nova do Metanfetaedro

Esse sábado a Lady Sybylla, Capitã Cósmica do blog de ficção especulativa Momentum Saga, postou uma resenha para meu livro de contos Metanfetaedro:

Alliah tem um jeito intenso de descrição, muito vívido, colorido, intenso, algumas vezes sendo até repulsivo, tamanho o nível de detalhe em que sua narrativa chega. Você se sente, profundamente, integrado com as sensações dos personagens, com a atmosfera das cidades e com os odores dos corpos, das cidades, dos objetos.

Leia a resenha inteira. Muito obrigado, Sybylla!

É sempre uma boa surpresa quando aparece alguém falando do Metanfetaedro em 2015, porque o livro saiu em 2012 e eu tenho essa noção (impulsiva, sem nenhum embasamento) de que obras de nicho publicadas por editoras pequenas têm uma vida curtinha e depois evaporam para o éter.

Ou pode ser só uma insegurança moleca mesmo.

Sabe que não lembro a última vez que reli o Metanfetaedro? Rola um medinho. Tava comentando lá no twitter esses dias. Ainda gosto muito do que escrevi naqueles contos, mas hoje percebo o quanto o livro é afobado—e entendo isso no contexto d’eu ter escrito aquelas histórias com 19/20 anos e publicado com 21. As entrelinhas são bem pessoais também. Há um pouco de autobiográfico aqui, e um muito ali—o conto do Jardim de Nenúfares Suspensos, que escrevi imediatamente após receber a notícia da morte de um amigo, que me fez repensar minha própria mortalidade e meu histórico suicida. Acho que ainda não tenho conhecimento do escopo de eviscerações emocionais que meti naquele livro. Talvez mais alguns anos de distanciamento e eu posso voltar àqueles mundos hiperfractais.

Se você quiser comprar um exemplar, só me pedir por email. Tá R$35 com frete incluso para qualquer lugar do país. Mais dedicatória e autógrafo. Posso mandar também para endereços internacionais, mas nesse caso a gente negocia o valor do frete.

Ah, e ainda tenho exemplares do livro Paradigmas Definitivos também. Esse sai por R$25. Só mandar email.

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“Não é homofobia, mas…”

Essa segunda saiu um episódio novo do podcast feminista We Can Cast It, capitaneado por Aline Valek e Gizelli Souza. O episódio – com Clara Averbuck de convidada – fala sobre representação e visibilidade de mulheres na literatura, mulheres como escritoras e personagens. O papo é excelente e tem uma trilha sonora bem gostosinha. Mas o que quero destacar aqui é um post de Olivia Maia que foi citado na conversa, chamado Ser escritora. Quero destacar dois parágrafos, mas leia o texto inteiro no site da autora, que é um tapa muito bem dado:

ora, porque a maioria dos protagonistas da literatura universal são sempre homens, de forma que o normal da literatura é o protagonista homem, e toda protagonista mulher precisa ser justificada, estar ali para provar alguma coisa ou demonstrar qualquer questão muito exclusivamente feminina. ela não pode ser mulher simplesmente porque nasceu assim, cazzo, e o livro não precisa ser sobre questões femininas, como se todo livro com um protagonista homem fosse sobre questões masculinas.

o foda de ser escritora mulher é o tempo todo precisar se justificar. dizer que aquela personagem não é seu alter-ego. é cansar de fazer personagens homens, para se desviar desse monte de dedo apontado. e afinal também esses a gente tem que justificar, e até parece que uma escritora mulher poderia escrever de forma convincente sobre um homem.

Essa realização é tão verdadeira que dói. E assim que eu li essas palavras, percebi que algo bastante similar acontece com personagens queer.

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Últimos exemplares do Metanfetaedro à venda

Como a maioria de vocês já sabe, a Tarja Editorial fechou as portas. A editora paulista foi a primeira a publicar profissionalmente um texto meu. Estava com eles desde 2009. É uma pena ver uma editora de FC&F nacional sair do mercado. Pra quem quiser entender o que aconteceu, clique aqui (link desativado) e leia essa nota do Richard Diegues na fanpage da editora.

Bem, esse mês resolvi pegar todos os exemplares restantes do Metanfetaedro para revender. Estou com 20 5 livros aqui. É o que sobrou da primeira tiragem. Como eu não pretendo republicar o livro em outra casa editorial, essa é a última chance de você ter um exemplar impresso do livro. Se você quiser garantir um, entre em contato por email com Metanfetaedro no assunto. Cada exemplar sai por R$ 35 com frete incluso para qualquer lugar do Brasil. Com dedicatória e autógrafo. Também posso enviar o livro para outros países, mas nesse caso o frete será cobrado de acordo com o destino.

Ainda não conhece a obra? Clique aqui para conferir a amostra com o prefácio e o primeiro conto.

Metanfetaedro_Capa_Frente

Em dúvida se o livro vai ser do seu paladar? Dá uma olhada nas opiniões de quem já leu:

“Cada um dos oito contos é deliciosamente atrevido ao criar seus mundos, personagens, linguagens e situações. O que não falta é garra e disposição de se aventurar para além das convenções da literatura de aventura.” – Antonio Luiz M. C. Costa

Metanfetaedro é o tipo de leitura tapa na cara, soco no estômago, um convite para aqueles que querem se perder ou se encontrar, como Cristina Lasaitis escreve no prefácio da obra, nos lisérgicos mundos de Alliah.” – Paula Sanches

“Aí eu pego o tal livro na mão e penso: tá legal, vamos ver o que é esta p… de New Weird – sim, esta foi a minha primeira experiência com o gênero, que, diga-se de antepassagem, é alguma coisa entre uma mistura de Kafka e Salvador Dalí, mas com uma pitada de David Foster Wallace, se ele escrevesse fantasia, ou terror, ou ficção científica (nota 3: fugir de comparações aleatórias desnecessárias) –; e, adivinhem, surpreendi-me.” – Vilto Reis

“Então, você pode encontrar poesia, tristeza, melancolia, raiva, risos e muito, muito espanto. E eu gostei disso.” – Tânia Souza

“Metanfetaedro da @Alliahverso finalizado. Começou esmurrando meu estômago e terminou com Magritte. Recomendo.” – Guilherme Jorge

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O que os leitores falam sobre o Metanfetaedro – Parte IV

Dá um pulo aquiaqui e aqui para ler os posts anteriores com as impressões dos leitores.

No post de hoje vou citar duas resenhas. Uma delas já saiu há algum tempo e possui um título que qualquer escritora em seus twentysomethings que nem eu gostaria de ver: Um bem-vindo atrevimento. O texto é do crítico Antonio Luiz M.C. Costa. Começa assim:

É comum a literatura de fantasia e ficção científica pecar pela falta de ousadia. Demasiados escritores que adoram colocar seus personagens em situações terrivelmente perigosas se recusam a sair de sua zona de conforto e correr riscos como autores. São muitos os textos que não passam de variantes de best-sellers e blockbusters da moda.

Esse foi um erro que a autora de Metanfetaedro (Tarja Editorial, 232 páginas, R$ 43,99), fluminense que assina com o pseudônimo de Alliah, não cometeu. Cada um dos oito contos é deliciosamente atrevido ao criar seus mundos, personagens, linguagens e situações. O que não falta é garra e disposição de se aventurar para além das convenções da literatura de aventura.

Leia o resto no blog do Antonio na Carta Capital.

A segunda resenha é mais fresquinha. Saiu ontem. Ou hoje, se você contar que foi no começo da madrugada. O texto é da Paula Sanches, que ganhou um exemplar do Metanfetaedro num sorteio que eu fiz aqui no blog. (E também levou uma arte original).

Metanfetaedro, de Alliah. O que escrever? Como exprimir em palavras as sensações que em mim foram despertadas através deste livro? Minha mente realmente viajou para lugares fantásticos, inesperados, vertiginosos, frios, lamacentos, arenosos, espaçosos, claustrofóbicos e outros tantos lugares sem igual e, certamente, diferentes de todos os que já visitei. Imaginem só a minha reação! Espanto, felicidade, tristeza, raiva, nojo, êxtase. Uma gama enorme de reações para um único livro e oito contos, nem todos mencionados durante a resenha.

Metanfetaedro é o tipo de leitura “tapa na cara, soco no estômago”, um convite para aqueles que querem se perder ou se encontrar, como Cristina Lasaitis escreve no prefácio da obra, nos lisérgicos mundos de Alliah.

Leia a resenha inteira no blog Electric Beans.

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O que os leitores falam sobre o Metanfetaedro – Parte III

No post de hoje, o espaço é do Vilto Reis e do Pablo. Primeiro o Vilto, que fez uma resenha deliciosa do livro, publicada no Homoliteratus e no Histeria. Dá só uma olhada num trechinho:

Fico olhando para uma capa – verde, contorcionismo para ler o título, desenho de uma, possivelmente, mulher – e lembro da sensação deliciosa que tive ao pegar o Metanfetaedro (nota 1: adicionar palavra ao dicionário do Word) na mão. Sério, não é possível que alguém que tenha ouvido o PodFiction#Extra – “Quem atirou na minha cabeça?”, ou acompanhe o blog alliahverso, como eu, não tenha curiosidade de ler um livro inteiro da Alliah (nota 2: evitar conversa de ela ser jovem, brasileira et cétera, como se esta fosse uma justificativa para fracassar e ela uma raridade por não ter fracassado).

Aí eu pego o tal livro na mão e penso: tá legal, vamos ver o que é esta p… de New Weird – sim, esta foi a minha primeira experiência com o gênero, que, diga-se de antepassagem, é alguma coisa entre uma mistura de Kafka e Salvador Dalí, mas com uma pitada de David Foster Wallace, se ele escrevesse fantasia, ou terror, ou ficção científica (nota 3: fugir de comparações aleatórias desnecessárias) –; e, adivinhem, surpreendi-me.

Leia o resto no Homoliteratus ou no Histeria (site desativado).

E o próximo leitor é o Pablo, que lá no espaço de resenhas da página do Metanfetaedro no Skoob, deixou um comentário curiosíssimo e bem bacana. Sente só:

Se um dia eu vier a conhecer Alliah pessoalmente um pouco da magia desaparecerá desse mundo. Digo isso porque criei uma imagem dela muito particular ao ler esse livro curioso e instigante. Tão particular que nem a vejo como uma pessoa real! O_O

Na minha cabeça, Alliah é uma daquelas personagens de sexualidade bruta desenhada pelo Simon Bisley e com a boca suja proporcionada por um Frank Miller. Ela andaria por aí com os cabelos despenteados, uma garrafa a tiracolo (para consumo próprio ou no caso de precisar de um coquetel molotov de improviso) e um símbolo da Anarquia estampado no peito. Atraente e perigosa.

Leia o resto aqui.

Mais pra frente o cara comenta que eu devo ser early reader d’Os Invisíveis! Há! Admito que sou heavy user dessa HQ. E, sim, foi através dela que eu dei uma lambida no pescoço do universo.

Até agora parece que os leitores do Metanfetaedro estão sendo devidamente sacudidos e desossados para fora de suas geometrias. Gosto disso. Amo foder com a cabeça de vocês. Aliás, da próxima vez que alguém me perguntar o motivo que me levou a ser escritora, responderei exatamente isso: pelo prazer de foder cabeças.

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