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Blog de Alliah Posts

Metanfetaedro: um pouco sobre o livro, a capa e a amostra

Finalmente saiu o Metanfetaedro, meu primeiro livro solo! Estou numa superposição frenética de estados: feliz, nervosa e ansiosa. Mais ou menos como o urso do Pica-Pau. Certo, agora que deixei vocês com essa imagem mental, falemos da obra. O livro reúne oito contos e oito ilustrações que abrem cada conto. São oito histórias essencialmente New Weird, mas que não se preocupam em se encaixar de maneira impecável nesse subgênero. Não há bordas ou fronteiras aqui. Aliás, essas noções espaciais de (não)limite são parte integrante de alguns dos enredos, tanto no campo do território físico, quanto no do corpo e da mente. É difícil fazer uma sinopse geral do livro, pois os contos são bem diferentes uns dos outros. Você vai encontrar tímidas criaturas cavernícolas de corpo troglóbio e sensibilidade pictórica, gerações indígenas oprimidas por carniceiros e vermícolas e devoradas como carcaça de baleia no leito marinho, desertos vivos de salgareia e cidades que sonham com seus metais, velociraptors inteligentes e magistas, um estudante de desenho anatômico e hipergeometria responsável por uma grande criação, e muito, muito mais. Outro aspecto crucial é que o livro está recheado de mensagens anarquistas. A citação de Bakunin não está ali à toa.

Dois artigos onde eu já falei anteriormente do Metanfetaedro: o post Novos autores para se ficar de olho em 2012, no Páginas Noturnas, e esse Top 5 no blog da Editora Draco, onde converso sobre trocentas referências literárias, artísticas e musicais. Confiram que vale a pena ler e reler.

Algumas das histórias do livro vocês já conhecem. Morgana Memphis Contra a Irmandade Gravibranâmica, publicado originalmente no Volume Vermelho d’A Fantástica Literatura Queer e finalista do Prêmio Argos de Literatura Fantástica 2012, está aqui também. E junto a ele uma nova história da Morgana, intitulada Morgana Memphis Dividindo Por Zero, que trata, entre outros deliciosos terrorismos, de arte-sabotagem. Outro conto já publicado é o Moleque, que saiu na antologia Paradigmas Definitivos. Esse é o conto que abre o livro, e que você pode conferir inteirinho na amostra da obra, que também possui o prefácio escrito pela Cristina Lasaitis.

A capa é de Richard Diegues sobre ilustração de Aaron Rutten:

Capa do livro Metanfetaedro, de Alliah.
Capa cheia de lindas esquisitisses para um livro cheio de apetitosas bizarrices.
Capa aberta do livro Metanfetaedro, de Alliah.
Capa aberta.

Algo que eu gostei muito nessa figura da capa é a ausência de feições. O rosto é uma massa geométrica em retalhos, com camadas assimétricas numa floração congelada. Dialoga muito fortemente com as questões levantadas no conto que dá nome ao livro. Já a diagramação possui um aspecto ruidoso que reflete a essência da coletânea: uma salada de referências e elementos dos mais diversos que se atravessam e se misturam sem pedir licença. Ah, e para quem não pescou a referência do sumário: a imagem é da pintura De Anatomische les van Dr. Nicolaes Tulp, ou A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, 1632, de Rembrandt. As ilustrações internas são de minha autoria e foram feitas a nanquim. Algumas são mais figurativas e outras (como a que abre o conto Uma Cidade Sonhando Seus Metais, que você vê na amostra) são mais conceituais.

O livro está à venda na Loja da Tarja no Facebook e no site da Tarja.

Página do livro no Skoob.

Abaixo, a ilustração que abre o conto Moleque:

Ilustração de Alliah em preto e branco para o conto Moleque, do livro Metanfetaedro.

Metanfetaedrizem-se!

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7 coisas que aprendi como escritora

Vi essa ideia de lista nesse post aqui, no blog da Cristina Lasaitis, e resolvi fazer também a minha lista de 7 coisas que aprendi como escritora.

Talvez eu devesse começar essa lista com um item zero, dizendo que não sei escrever listas. Ou melhor, não sei escrever listas pequenas, compactas, resumidinhas, assim que nem essa. Sempre acho que fica muita coisa de fora e o recorte acaba resultando em algo bastante parcial e discutível. Mas sei que listas costumam fazer sucesso pelo visual de receita de bolo, então vou parar com o devaneio e vocês podem ir logo ao pote.

1. Não existe bloqueio criativo. Existe preguiça, impaciência, crise de ansiedade, tpm, falta de vontade, desconforto, café frio e fones de ouvido com defeito.

2. A insônia pode ser a minha melhor amiga ou a minha pior inimiga. Depende da temperatura ambiente.

3. Trabalhar com criação artística é viver o que você faz, 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem pausas ou férias, sabendo que só vai descansar de fato quando tiver morto e enterrado.

4. Tuítar uma ideia de sacanagem e levar a sério depois é sempre uma opção válida.

5. Meus amigos imaginários são muito mais confiáveis que minha memória.

6. Ler, ler e ler sempre, em qualquer mídia, plataforma, formato, gênero e cor.

7. É saudável achar um equilíbrio entre compartilhar conhecimento, ideias e determinadas criações de graça, e saber vender e lucrar com seu trabalho.

PS.: Escutem, isso é apenas uma lista que reúne minhas percepções, e não uma seleção experiente de dicas universais sobre como escritores precisam pensar/agir. Eu mal sei arrancar o plástico do Toddynho, não dá pra vir aqui ditar regra.

PS. 2: Se houvesse um item extra, eu diria que aprendi a ser mais feliz.

Sobre a origem da série “7 Coisas Que Aprendi”:

O projeto 7 Coisas Que Aprendi é uma iniciativa conjunta dos blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, de T.K. Pereira e Alexandre Lobão, que foram inspirados pela coluna 7 Things I’ve Learned So Far, da revista americana Writer’s Digest. A ideia é reunir experiências de escritores em qualquer fase, iniciantes ou experts, que escrevem em qualquer gênero e formato. Então, se você também é um escritor, participe e compartilhe suas visões!

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Estou na coletânea “É assim que o mundo acaba”, da Editora Oito e Meio

Ontem saiu a lista de selecionados para a coletânea É assim que o mundo acaba, da editora carioca Oito e Meio. Os 11 escritores escolhidos vão dividir o livro com 10 escritores convidados, que são: André de Leones, Victor Paes, Claudia Nina, Leonardo Villa-Forte, Augusto Guimaraens, Botika, Rodrigo Rosp, Juliana Amato, Cesar Cardoso e Rafael Sperling.

Eu estou entre os escritores selecionados com o conto Castelos de salitre são mais bastardos que o Mesmo do elevador. Sim, é aquele Mesmo da plaquinha. E sim, eu juro que esse título vai fazer sentido dentro da história.

Lá em Maio, quando saiu a chamada para a coletânea, o que capturou minha atenção (além dos nomes dos autores convidados, já que seria ótimo compartilhar uma publicação com eles) foi a proposta, que abordava o fim do mundo de maneira diferente. No post diz: “Não se buscará a hecatombe pirotécnica de Hollywood, mas uma visão mais intimista e literária sobre o tema. Em termos cinematográficos, estaria mais para Melancolia de Lars Von Trier do que para O Dia Depois do Amanhã.

Eu estava trabalhando em alguns textos bem pirotécnicos na época e, de certa forma, estou sempre escrevendo algo barulhento assim, então curti a ideia de mudar os acordes. É interessante dizer também que essa é minha primeira publicação que sai por uma editora que não é focada em literatura fantástica. Meu conto puxa pra FC soft e um pouco pro weird, mas os elementos fantásticos estão ali à serviço dos pensamentos e dramas da narradora-personagem.

Bem, o lançamento da coletânea já tem mês certo, vai rolar em Dezembro, no Rio. E se o mundo acabar mesmo, onde melhor do que num evento literário? (Okay, eu consigo pensar em trocentas situações melhores, metade delas incluindo álcool e sexo, mas vamos ficar com a poética literária da coisa, beleza?).

O que mais andou acontecendo por aí…

♦ A Carolina Mancini, do blog Respirando Arte, fez uma longa e detalhada resenha da coletânea Paradigmas Definitivos, da Tarja Editorial. Sobre o meu conto, Moleque, ela diz:

Já li outros contos desta autora em antologias que, inclusive, resenhei , são elas “Cursed City” e “Deus Ex Machina”. E quando me debrucei sobre “Moleque”, fiquei muito surpresa com o que li. Neste conto Alliah conseguiu unir com perfeição sua grande criatividade e construção ornamentada junto aos mais profundos sentimentos (e gigantescos erros) humanos. Ela construiu dois cenários surreais, profundos, escrotos e fétidos, junto à personagens fantásticos feito alegorias dantescas, desprovidos de suas máscara míticas e véus oníricos, e entregues à imundice física ou corrupta. E tudo isto acompanhando pela perda da inocência. Um conto de se aplaudir.

♦ A Carolina também está fazendo uma promoção no blog. O ganhador leva um exemplar da Paradigmas Definitivos. Vai lá participar!

♦ Escrevi um artigo para o Páginas Noturnas, site de literatura editado pelo Eric Novello, falando sobre a (in)existência do SciFi Strange. Já ouviu falar nesse subgênero? Aqui um pedacinho:

O termo foi inventado pelo escritor americano Jason Sanford, em 2009, num pequeno post em seu blog pessoal, intitulado The Noticing of SciFi Strange. Jason começa o texto avisando que aquilo não é um manifesto, mas apenas uma observação. O autor cita um tuíte de Gareth L. Powell que diz: “Nós já tivemos o New Weird e o Steampunk. Qual será a “próxima grande sensação” na ficção científica?”. E Jason responde afirmando que a “próxima grande sensação” já está acontecendo, e que nós apenas não temos um nome para ela. Resumindo, ele define o SciFi Strange como uma ficção que bebe na fonte da New Wave (a FC soft dos anos 60 e 70) e usa o experimentalismo tanto na forma quanto no contéudo, mas mantendo o caráter de especulação científica, sem cair na fantasia.

O artigo é cheio de referências e sugestões de leitura. Você pode marcar o post e visitar futuramente para ler alguma das histórias linkadas (todas disponíveis online). Só tem ficção excelente, isso eu garanto.

That’s all folks.

Até mais e obrigada pelos peixes!

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Ideias sobre poliamorismo na vida e na literatura

Já comentei pelo Twitter e pelo Facebook que tenho vontade de organizar uma coletânea de ficção (não necessariamente fantástica) com a temática do poliamor. No meu otimismo, acredito que lá pelo segundo semestre do ano que vem ela possa começar a acontecer. Vai depender da minha habilidade de me guiar no meio desse caos em que me encontro. Até lá, ando lendo bastante sobre o assunto e buscando novas visões, principalmente de gente que vive algum tipo de relação poliamorista. E entre essas leituras, destaco uma excelente série de artigos do site Modern Poly, que trata do poliamorismo em relação com outros temas como raça, identidades de gênero e/ou sexualidade queer, religião e pensamento político:

Poly and Asian
Poly and Boricua
Poly and Black
Poly and Gender
Poly and Genderqueer
Poly and Catholic
Poly and Jewish
Poly and Chicana
Poly and Skepticism
Poly and Gender Nonconformist
Poly and Anarcho-Communist

Como dá pra ver, tem de tudo um pouco. Relações pra todos os gostos. Se você é escritor, dê uma lida nesses artigos, pra desintoxicar um pouco a mente do panorama pré-concebido de putaria orgiástica satânica que a maioria das pessoas têm quando se fala em poliamor. Porque nas mãos do senso comum esse acaba sendo um dos grandes problemas na hora de escrever sobre uma relação que envolva mais de duas pessoas. Sabe aquele personagem gay de novela que é carnavalesco, afetadíssimo e só aparece pra servir de bobo da corte? E aquele personagem que pratica BDSM porque sofreu algum abuso na infância e ficou com um tremendo de um trauma violento? E o bissexual que na verdade é um indeciso enrustido? Esses lugares-comuns preconceituosos distorcem a realidade e só fazem contribuir pra mais discriminação. Dá pra contar nos dedos quantas vezes eu li algo que tratava de relações poliamoristas sem cair nesses erros. Ou sem que a história focasse exclusivamente na vida sexual dos personagens. Falar de sexualidade não é falar só do ato sexual. Aliás, algo que penso em fazer na coletânea é focar menos no sexo e mais nas questões sociais e familiares que uma vida poliamorista enfrenta. Por exemplo, como seria a infância de uma criança numa família composta por três pais e uma mãe?

E falando em família, recentemente o Brasil ganhou as manchetes do mundo inteiro com a formalização de uma união civil de três pessoas, em São Paulo. Depois que baixar a polêmica do casamento gay, será a vez das uniões poliamoristas. Mas como bem disse uma das mulheres da união a três, eles não inventaram nada, apenas oficializaram algo que já existia. Isso é uma questão central. Poliamorismo não nasceu ontem, nem foi invenção da modernidade. Muito pelo contrário, taí pelo mundo desde antes da instituição do casamento tradicional. Deal with it.

Notas:

1. Ah, mas eu não conheço quase nada de poliamorismo e ando sem paciência pra ler trocentos artigos. Então escute o podcast Polyamory Weekly. (Grande dica do Eric Novello). Recomendo especialmente o episódio 50 Shades of Wrong, que destrincha de maneira hilária os erros da famosa trilogia de pornô pra mamães.

2. Na literatura fantástica nacional, um romance que possui relações poliamoristas bem escritas (e com protagonistas) é o Crônicas de Atlântida – O tabuleiro dos deuses, do Antonio Luiz M.C. Costa, pela Editora Draco. Vale a pena conferir.

3. O novo número da revista de arte e literatura Side B Magazine vem com o título de Sex, Gender & Sexuality. Dentre as 40 páginas, destaco um ótimo artigo sobre Adrienne Rich, premiada poeta e ensaísta feminista que faleceu em Março desse ano. A edição digital custa apenas 2 dólares.

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Em memória de um amigo

Faz um ano que um amigo muito querido se foi de maneira violenta e injusta. Mas não quero entrar na discussão do que houve. Quero apenas preservar uma memória. Arthur, o anarcopunk mais doce que já conheci. E esse período de um ano passou tão rápido, inquieto e conturbado que mal notei. Parece que foi ontem que a gente dividiu uma cerveja no espaço entre as aulas.

Gostaria de ter tido tempo de atender ao seu pedido de escrever um roteiro pra você filmar. Só que o acaso foi um tremendo de um filho da puta. Deixo então um simples desenho pra fixar seu rosto aqui, preto no branco como as roupas que você sempre usava.

Saudades incalculáveis.

As fotos abaixo são de 7 de Junho de 2011, dia do meu aniversário de 20 anos. Uma pequena comemoração após a aula de Psicologia da Educação no campus da Praia Vermelha/UFRJ.

Um brinde, amigo!

E pode deixar, ainda não desisti da revolução.

Já que somos todos ignorantes, enlouqueçamos, pois.

– Cláudio Tovar

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Promiscuidade literária, rock n’ lesbian e conteúdo NSFW

Eu tenho uma mania horrorosa. Quer dizer, nem tão horrorosa assim, eu até gosto bastante dela, coitada. Mas a pobrezinha é uma desmiolada. É essa coisa de alguém me pedir um texto e eu aceitar fazer como se não tivesse trocentos outros pra terminar. E faço. Perco mais algumas camadas de sanidade no caminho, mas faço. Dessa vez a ficção que eu resolvi escrever de última hora veio de um simpático desafio lá na Skynerd [link não existe mais]. A ideia era escrever uma narrativa curta do ponto de vista de uma fera (ou qualquer animal mítico) que estivesse sendo transportado de barco para algum lugar. Gostei do cenário e resolvi bolar uma pequena história. Postei lá no meu perfil da Skynerd como combinado. Cliquem aqui [link não existe mais] e leiam o miniconto inteiro, intitulado Nasceu um cogumelo no meu focinho. (A rede é aberta, você pode visualizar o conteúdo sem possuir uma conta lá). Claro que eu dei meu jeitinho de subverter o desafio. Mas isso você só vai perceber se ler tudo. Um pedaço:

Repentinamente senti algo minúsculo correr suas micropatinhas pontiagudas em minhas narinas e disparei um espirro tão forte que o barco deu uma sacolejada que quase nos atirou à correnteza. A velha mordeu aflita a cabeça do menino cego, músculos retesados para controlar os remos, e resmungou qualquer obscenidade. Eu vesguei meus olhos e percebi que a coceirinha no focinho era fruto do brotamento de meia dúzia de fungos amarelados. Talvez o resultado da tempestade da noite passada com os esporos grudados em meu pelo. Como se a situação toda já não fosse suficientemente desagradável, ainda havia nascido um cogumelo no meu focinho.

Ando sempre aos tapas com meus prazos, mas a mania não passa nunca. Escrever vicia. Não importa se o convite é para uma coletânea de uma editora conhecida ou apenas um desafio singelo e efêmero entre nerds escritores numa rede social. Ou até mesmo quando parte de uma amiga que leu uma antiga história abandonada e engavetada, amou a narrativa e pediu que eu continuasse. A história nunca será publicada, mas prometi continuar exclusivamente pra ela ler. Calcule isso tudo como uma promiscuidade literária. Chegou fazendo uma proposta que eu curto? To dentro! Assim mesmo. Só pedir que eu dou. (Textos, gente, textos!).

Ontem publiquei um post lá no blog d’A Fantástica Literatura Queer falando sobre a cantora, compositora e produtora Linda Perry. A mulher não é apenas uma das artistas mais procuradas da indústria da música, mas também uma importante personalidade LGBT. Lésbica assumidíssima desde o começo da carreira. No post, falo um pouco sobre o caminho de sucesso de Perry, destacando seus trabalhos com outros artistas, em especial Christina Aguilera, quando foco na música (e no clipe de) Beautiful. Lá pro final do texto falo na Morgana Memphis também. O que tem a ver? Oras, vai lá ler o post. Tá cheio de vídeos musicais. Muita coisa boa pra ouvir. E no final uma seleção de algumas músicas do álbum mais recente de Perry.

Aliás, um dos vídeos linkados é o do clipe What You Waiting For?, de Gwen Stefani. A versão que escolhi é a do diretor, que inclui uma historinha antes da música começar de fato. E sabe qual o tema da canção? O famoso bloqueio criativo. (Se é que ele existe, porque na maioria dos casos bloqueio criativo parece muito mais uma desculpa pra se morder de autopiedade, se alimentar da própria preguiça e chorar num cantinho até pegar no sono). A letra se embola com a vida de Gwen, suas ansiedades e crises antes de gravar seu primeiro álbum solo Love. Angel. Music. Baby. A loira tinha que escrever com Linda Perry as músicas do álbum novo, mas não conseguia produzir nada por culpa do tal do bloqueio (e meia dúzia de dramas pessoais). Até que Perry, sutil como uma bigorna, escreveu esses deliciosos versos que deixo como mensagem pra quem pensa estar passando por um bloqueio criativo: “What you waiting for? Take a chance, you stupid ho!”

Ah, saiu mais uma resenha da coletânea VII Demônios ~ Inveja, da Estronho, no blog Coração Literário. Nas palavras da blogueira: “Gostei muito dos contos, alguns eu fiquei com aquela sensação de querer mais, de querer um livro inteiro sobre a história. Alguns contos são mais leves, outros bem detalhados com cenas apavorantes.” Bacana e tudo mais, só que a resenhista não falou de todos os contos e isso é chato em resenhas de coletâneas. Gente, deixa essa preguiça sacana de lado, junto com o medo de ofender alguém, e escrevam suas críticas sem buracos, beleza? Não precisa falar só do que achou bom. Fala do que achou ruim também. Ninguém vai botar seu nome na boca de Cthulhu por isso. Não se reprima. (Não se reprima nem mesmo de ler isso no ritmo da música).

Finalmente, o conteúdo NSFW fica aqui no fim do post. Momento nostalgia, diretamente de 1997. É o videoclipe de Smack My Bitch Up, do Prodigy. A parada é que eu citei o diretor suíço Jonas Akerlund quando falei do clipe Beautiful e, lembrando dos outros trabalhos desse cara (com gente do naipe de Rammstein, Madonna, Lady Gaga e Maroon 5), lembrei desse clipe que fez um puta dum barulho quando saiu devido ao conteúdo explícito com drogas, abuso, violência e sexo. Mas o interessante mesmo é o final, quando descobrimos que o protagonista é uma mulher.

nota de dez dólares com carimbo de que foi tocada por gays

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