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Narrativas Interativas e Um Dedão Decepado

Eu adorava os livros juvenis da série Escolha Sua Aventura, onde eu podia decidir o que os personagens fariam em determinadas situações escolhendo um número de página que me levaria ao próximo capítulo. Perdi as contas de quantas vezes eu reli e reli e reli e reli cada livro, mapeando todos os caminhos possíveis e explorando cada nodo dessa rede narrativa. Os livros-jogo (não confundir com livros de RPG) parece que saíram de moda. Pelo menos não conheço alguma série nova do tipo que seja famosa hoje em dia. Se houver, por favor me avisem.

Em termos de narrativa interativa, atualmente temos os jogos independentes do Twine como expoentes. O Twine é uma ferramenta open source de criação de jogos baseados em texto, com um script próprio e a possibilidade de incluir estilização CSS, códigos javascript, imagens e efeitos de som. Eu comecei a estudar javascript para poder criar um jogo que não me saía da cabeça. E que agora já virou uma pequena trilogia. E mais sobre isso não falo porque ainda vai levar algum tempo até eu terminar essas belezinhas.

Mas nessa de querer criar minha própria narrativa interativa, ando lendo/jogando um bocado de coisa. Um favorito imediato é The Writer Will Do Something, de Matthew S. Burns. Simplão até a medula: texto preto sobre fundo branco e nada mais além de sutis efeitos de texto em algumas passagens. O cenário é uma reunião de uma equipe de criação de jogo. O protagonista que encorpamos é o escritor do jogo, frustrado, atrasado, e sem um pingo de interesse na franquia do jogo em questão. O texto é sarcástico nas críticas que faz à indústria dos jogos mainstream e possui momentos que me fizeram gargalhar em voz alta.

Hoje comecei a jogar TUNDRA, de @PaperBlurt, uma aventura mais elaborada e mais parecida com a exploração de um mistério. Você acorda perdido numa tundra, sem saber como chegou até ali. Uma única árvore seca aparece em seu campo de visão dominado por neve. Num buraco no tronco você encontra um walkie-talkie que emite mensagens crípticas que te guiam até uma construção secreta e abandonada no subsolo. Estou andando pelos corredores e salas desse lugar que ainda não sei se é um laboratório privado ou uma base militar. Só sei que acabei de cortar o dedão de um cadáver com uma tesoura para abrir um cofre através do reconhecimento da digital do sujeito.

E ainda estou longe de sacar o que tá acontecendo nessa história.

LENDO/JOGANDO: TUNDRA, de @PaperBlurt.

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