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Leituras de Outubro/2017 e Novembro/2017

 

Já estamos em dezembro e só agora estou chegando na metade da meta de 100 leituras que estabeleci no Gooreads Goodreads. Mas estou achando ótimo porque não entram naquela contagem vários contos avulsos, quadrinhos e newsletters que devorei ao longo do ano. Ou é isso que eu digo para mim mesmo quando tento me convencer de que li o suficiente sim, obrigado, já olhou pela janela para ver essa tempestade de mijo de demônio que tem acometido o país?

Deixei o Gooreads rabiscado ali porque em vez de erro de digitação, acho que pode ter sido uma mensagem do meu inconsciente se meu inconsciente tiver uma partição compartilhada com um escriba de outra espécie que desenvolveu um sistema linguístico baseado em gosma–por precipitado vegetal ou excreção animal–e por isso o goo em Gooreads. Vai ver o goolfabeto é tátil e para distinguir os ideogramas você precisa ter uma camada de microcerdas nas pontas dos dedos ou demais apêndices para mapear as diferentes texturas. Vai ver o Gooreads é acessado através de uma rede neural coletiva com um nodo em cada colônia de criaturas responsável por gerenciar seu canto do site. Quem é pego insultando os outros em resenhas sem noção tem a impressão digital de suas microcerdas bloqueada e é impedido de acessar o Gooreads. Vai ver o escriba que me contatou está interessado em me ensinar o idioma para que eu possa traduzir a obra de seu povo e então começarmos um intercâmbio interespécie. Vai ver eu aceito.

Essa piração foi trazida para você diretamente do autor que já escreveu sobre nautiloides e estrelas-do-mar se comunicando através de grafluias em 2014 na coletânea Depois do Fim e recentemente sobre sereias e tubareios falando em ▒▓░░▓▓▒▓▒░ (ou a linguagem das sereias que não possui escrita) na coletânea Todas as Cores do Natal [Goodreads] [Amazon].

Livros de ficção

> The Bad Beginning (A Series of Unfortunate Events #1), de Lemony Snicket. 188 páginas. Publicado por HarperCollins. 2009. [Goodreads] [Amazon]
> The Reptile Room (A Series of Unfortunate Events #2), de Lemony Snicket. 220 páginas. Publicado por HarperCollins. 2009. [Goodreads] [Amazon]

Corri para ler esses livros depois de assistir a adaptação em seriado no Netflix. Fui tão afobado e tão carregado de expectativas–porque apaixonei na linguagem do seriado–que tropecei e dei de cara no chão. Os livros são bons, mas não são tão bons quanto eu achei que seriam. Talvez porque eu não seja o público-alvo, talvez porque não é recomendado ir na sede desvairada achando que um livro juvenil terá jogos complexos de linguagem (na minha cabeça o livro seria muito mais complexo do que o seriado? Eu realmente não sei o que eu estava pensando, francamente). Fora meu desapontamento que é só culpa minha mesmo, as histórias possuem um ritmo muito gostoso e rápido e te deixam bem curioso querendo saber o que acontece em seguida, então lerei os próximos livros (dessa vez com as expectativas recalibradas de acordo).

Relido:
> Agents of Dreamland, de Caitlín R. Kiernan. Novela. 112 páginas. Publicado por Tor, 2017. [Goodreads] [Amazon]

Reler as histórias da Caitlín R. Kiernan consegue ser um prazer imenso e um estudo desafiador entremeados numa coisa só. A gente sempre se espanta com autores que sacodem nossos instintos, desejos e aspirações assim tão no âmago. Depois de ler Virginia Woolf, achei que não haveria ninguém que mexeria tanto comigo. Daí veio William Gibson. Daí veio China Miéville. Daí veio Ursula K. Le Guin. Daí veio Gregory Maguire. Enfim, espero continuar sendo sacudido. Quero ler a bibliografia inteira dela em 2018 (o que seria de mim sem um projeto megalomaníaco, não é mesmo?).

Leituras em andamento

Eu nem sei por que ainda listo essas leituras porque a maioria delas eu avanço tipo uns três parágrafos por mês (o livro do Gleick eu tô lendo em doses homeopáticas desde o começo do ano, quando assisti um curso inteirinho da universidade de Cornell sobre dinâmica não-linear e caos no YouTube. Mas nas leituras simultâneas eu me atropelo dum jeito que equação nenhuma consegue resolver). Vou tentar completar pelo menos metade dessas leituras até acabar o ano. O livro do Manaugh eu terminei esses dias. Fui correndo dar entusiasmadas 5 estrelas no Goodreads e me deparei com resenhas de 2 estrelas logo no topo e, por meio segundo, fiquei enfurecido e perplexo e desorientado tudo ao mesmo tempo. Daí a gente volta à realidade e lembra que as pessoas possuem gostos diferentes do nosso e, como autor, é bom sempre manter isso na cabeça. O episódio inspirou essa breve thread no Twitter sobre resenhas negativas.

Chaos: Making a New Science, de James Gleick. Livro de não-ficção. Publicado por Open Road Media, 2011. [Goodreads] [Amazon]
The Space of Literature, de Maurice Blanchot. Traduzido para o inglês por Ann Smock. Livro de ensaios. Publicado por University of Nebraska Press, 1989. [Goodreads] [Amazon]
Landmarks, de Robert Macfarlane. Livro de não-ficção. Publicado por Penguin, 2015. [Goodreads] [Amazon]
October: The Story of the Russian Revolution, de China Miéville. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2017. [Amazon]
Staying with the Trouble: Making Kin in the Chthulucene, de Donna J. Haraway. Livro de não-ficção. Publicado por Duke University Press Books, 2016. [Goodreads] [Amazon]
> Literatura e animalidade, de Maria Esther Maciel. Livro de não-ficção. Publicado por Civilização Brasileira, 2016. [Goodread] [Amazon]
> A Burglar’s Guide to the City, de Geoff Manaugh. Livro de não-ficção. Publicado por Fsg Originals, 2016. [Goodread] [Amazon]
Winter Tide (The Innsmouth Legacy #1), de Ruthanna Emrys. Romance. Publicado por Tor, 2017. [Goodread] [Amazon]

Ficção curta disponível online

> Manuela and the Great Pumpkin. Conto de Gabriela Martins. Publicado em seu blog pessoal. Publicado originalmente em português (“Manuela e a Abóbora Gigante“) na Pólen. 2017. A Gabhi fez um Patreon recentemente e ela já está postando muita coisa maravilhosa por lá, então vem apoiar! 😀
> Spettrini. Conto de Matthew M. Bartlett. Publicado no Weird Fiction Review. 2017.
> La Signora. Conto de Bruce McAllister. Publicado na Tor. 2014.
> Das Steingeschöpf. Conto de G. V. Anderson. Publicado na Strange Horizons. 2016.
> Fandom for Robots. Conto de Vina Jie-Min Prasad. Publicado na Uncanny Magazine. 2017.
> Some Remarks on the Reproductive Strategy of the Common Octopus. Conto de Bogi Takács. Publicado na Clarkesworld. 2017.
> The Scenarist. Flash fiction de Stu West. Publicado na Fireside. 2017.
> My Wife, in Converse. Conto de Shelly Oria. Publicado na The Paris Review. 2014.
> A Cure for Ghosts. Flash fiction de Eden Royce. Publicado na Fireside. 2017.

Outras leituras

Seleção dos melhores artigos em revistas/jornais e posts em blogs que li durante o mês

Português:
> As revoluções russas. Matéria especial de Camilo Rocha, Guilherme Falcão, Thiago Quadros e Ariel Tonglet publicada no Nexo em 26 de outubro. 2017.
> Arte degenerada no Brasil ou como sair da arquibancada moralista. Artigo de Lilia Schwarcz publicado no Nexo em 23 de outubro. 2017.

Sim, preciso de mais fontes de informação em português. Vou tentar dar uma diversificada nos blogs, revistas e jornais que acompanho. Depois que fiz uma limpa no meu Feedly, acabei esquecendo de seguir muita gente em outros lugares para receber as atualizações. Recentemente adquiri a assinatura anual do Suplemento Pernambuco. Também costumo pedir para receber a Revista .br (que é enviada gratuitamente quando há estoque disponível). Essas duas publicações também são disponibilizadas inteirinhas em .pdf para acesso livre. Aproveite! 😉

Inglês:
> “Let’s talk about genre”: Neil Gaiman and Kazuo Ishiguro in conversation. Publicado na New Statesman em 4 de junho. 2015.
> Sometimes, Horror is the Only Fiction That Understands You. Artigo de Leah Schnelbach publicado no Tor em 5 de outubro. 2017.
> Mysterious Murders and The Matrix. Artigo de Brent Swancer publicado no Mysterious Universe em 18 de setembro. 2017.
> How Conversations About AI Are Really Conversations About Everything But AI. Artigo de Natalie Zutter publicado no blog da Tor em 9 de outubro. 2017.
> Locating Servers, Locating Politics. Artigo de Evan Conaway publicado no Platypus em 17 de outubro. 2017.
> Stephen Sondheim, Theater’s Greatest Lyricist. Entrevista com Stephen Sondheim por Lin-Manuel Miranda publicada no The New York Times em 16 de outubro. 2017
> Totality. Artigo de Vi Hart publicado em seu blog pessoal em 13 de outubro. 2017.
> Why is anyone listening to Tim O’Reilly?. Artigo de Molly Sauter publicado no The Outline em 23 de outubro. 2017.
> Ghostwatch: the Halloween hoax that changed the language of television. Artigo de Kate Mossman publicado no New Statesmen em 19 de outubro. 2017.
> What Boredom Does to You – The science of the wandering mind. Artigo de Manoush Zomorodi publicado na Nautilus em 26 de outubro. 2017.
> Her eyes were watching the stars: How Missy Elliott became an icon. Artigo de Rachel Kaadzi Ghansah publicado na Elle em 15 de maio. 2017.
> Frankenstein in the Age of CRISPR-Cas9. Artigo de Jim Kozubek publicado na Nautilus em 20 de outubro. 2017.
> Why AI Is Still Waiting For Its Ethics Transplant. Entrevista com Kate Crawford por Scott Rosenberg publicada na Wired em 1º de novembro. 2017.
> The Shape of the Darkness As It Overtakes Us. Ensaio de Dimas Ilaw publicado na Uncanny Magazine. 2017.
> Mindhunter Is a Surprisingly Good Commentary on Toxic Masculinity. Artigo de Angelica Jade Bastién publicado na Vulture em 9 de novembro. 2017.
> Meet Doug Jones, One Of The Biggest Movie Stars You’ve Probably Never Seen. Matéria de Adam B. Vary publicada no Buzzfeed em 16 de novembro. 2017.
> What Do We Do with the Art of Monstrous Men?. Artigo de Claire Dederer publicado no Paris Review em 20 de novembro. 2017.

Se você só tiver tempo para ler um artigo, leia o da Claire Dederer.

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