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Leituras de Junho/2017

Tenho a mania de dizer que junho nunca é um bom mês porque é o mês do meu aniversário e eu fico melancólico e desesperançoso enquanto transito no horizonte de eventos do meu aniversário, tentando não ser engolido pela apatia ou pelo desespero. Mas a verdade é que consegui ter momentos de clareza e não desacelerei a escrita dos meus romances–bateram até ideias para escrever contos avulsos que quero publicar de forma independente e já estou trabalhando neles.

Um dos ensaios do livro A Director Prepares: Seven Essays on Art and Theatre foi, de longe, a leitura mais importante do mês. O ensaio sobre a violência da decisão na arte. O livro faz parte de uma lista que organizei lá no começo do ano com o tema violência em suas mais diversas interpretações, manifestações e significados. Pesquisa para um dos romances em andamento. Devo reler mais algumas vezes nas próximas semanas. As observações da Anne Bogart dialogam muito com aquilo que estou explorando na história.

Art is violent. To be decisive is violent. Antonin Artaud defined cruelty as ‘unrelenting decisiveness, diligence, strictness’. To place a chair at a particular angle on the stage destroys every other possible choice, every other option. When an actor achieves a spontaneous, intuitive, or passionate moment in rehearsal, the director utters the fateful words ‘keep it’, eliminating all other potential solutions. These two cruel words, ‘keep it’, plunge a knife into the heart of the actor who knows that the next attempt to re-create that result will be false, affected and lifeless. But, deep down, the actor also knows that improvisation is not yet art. Only when something has been decided can the work really begin. The decisiveness, the cruelty, which has extinguished the spontaneity of the moment, demands that the actor begin an extraordinary work: to resurrect the dead. The actor must now find a new, deeper spontaneity within this set form. And this, to me, is why actors are heroes. They accept this violence and work with it, bringing skill and imagination to the art of repetition.

Livros de não-ficção

> Cunning Plans: Talks By Warren Ellis, de Warren Ellis. Coleção de palestras. 52 páginas. Publicado por SUMMON Books, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> A Director Prepares: Seven Essays on Art and Theatre, de Anne Bogart. Coleção de ensaios. 168 páginas. Publicado por Routledge, 2001. [Goodreads] [Amazon]

Contos disponíveis online

> Red as Blood and White as Bone, de Theodora Goss. Publicado no Tor. 2016.
> Beauty, Glory, Thrift, de Alison Tam. Publicado no The Book Smugglers. 2017.
> Blue is a Darkness Weakened by Light, de Sarah McCarry. Publicado no Tor. 2016.
> Cat Pictures Please, de Naomi Kritzer. Publicado na Clarkesworld. 2015.
> eyes I dare not meet in dreams, de Sunny Moraine. Publicado no Tor. 2017.

Leituras em andamento

A New Kind of Science, de Stephen Wolfram. Livro de não-ficção. Publicado por Wolfram Media, 2002. [Goodreads] [Amazon]
Chaos: Making a New Science, de James Gleick. Livro de não-ficção. Publicado por Open Road Media, 2011. [Goodreads] [Amazon]
> Molecular Red: Theory for the Anthropocene, de Kenneth McKenzie Wark. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> Everything Change: An Anthology of Climate Fiction, org. Manjana Milkoreit, Meredith Martinez e Joey Eschrich. Vários autores. Livro de contos. Publicado por ASU Imagination and Climate Futures Initiative, 2016. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]
The Space of Literature, de Maurice Blanchot. Traduzido para o inglês por Ann Smock. Livro de ensaios. Publicado por University of Nebraska Press, 1989. [Goodreads] [Amazon]
Diante da dor dos outros, de Susan Sontag. Traduzido para o português por Rubens Figueiredo. Publicado por Companhia das Letras, 2003. [Goodreads] [Amazon]
Spirits of Place. Vários autores. Livro de ensaios. Publicado por Daily Grail Publishing, 2016. [Goodreads] [Amazon]
Landmarks, de Robert Macfarlane. Livro de não-ficção. Publicado por Penguin, 2015. [Goodreads] [Amazon]
Big Little Lies, de Liane Moriarty. Romance. Publicado por Berkley, 2014. [Goodreads] [Amazon]
October: The Story of the Russian Revolution, de China Miéville. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2017. [Goodreads] [Amazon]

Quadrinhos

Assisti o filme da Mulher-Maravilha, saí do cinema transformado e encantando e caí na febre de reler alguns gibis (principalmente partes soltas de histórias do Greg Rucka e da Gail Simone, à caça de momentos favoritos que ficaram marcados na memória). Inteiro eu reli a Hiketeia. E descobri um gibi que não conhecia (A League of One, onde a Diana luta com uma dragão!) através de uma lista de recomendações de leitura justamente para quem tinha acabado de assistir o filme e estava com a boca seca por mais.

Lido:
JLA: A League of One, texto e arte de Christopher Moeller. 2000. [Amazon]

Relido:
> Wonder Woman: The Hiketeia, texto de Greg Rucka e arte de J. G. Jones. 2002.
> E vários trechos soltos de várias histórias do Greg Rucka e da Gail Simone.

Outras leituras

Seleção dos melhores artigos em revistas/jornais e posts em blogs que li durante o mês

Português:
> Contar uma boa história, artigo de Camila Von Holdefer. Publicado no Blog do IMS em 29 de maio, 2017.
> Lima Barreto é um bom autor para pensar o contexto brasileiro atual, diz biógrafa, entrevista com Lilia Schwarcz por Paula Miraglia. Publicado no Nexo em 23 de junho, 2017.
> Paratodos, para os pobres, pra ninguém, artigo de Ricardo Teperman. Publicado na Revista Serrote em maio, 2017.

Inglês:
> The Unexpected Afterlife of American Communism, artigo de Sarah Jaffe. Publicado no The New York Times em 6 de junho, 2017.
> Do I Have To Choose Between A Good Life And Good Teeth?, artigo de Jonathan Corcoran. Publicado no BuzzFeed Reader em 2 de junho, 2017.
> Mundane and Plural: Gwendolyn Brooks’s “Riot”, ensaio de David Baker. Publicado na Poetry Magazine em 30 de maio, 2017.
> Obviously, it’s gonna be them light skins, artigo de Nicholas Boston. Publicado no Cyborgology em 14 de junho, 2017.
> In Its First Season, The Handmaid’s Tale’s Greatest Failing Is How It Handles Race, artigo de Angelica Jade Bastién. Publicado no Vulture em 14 de junho, 2017.
> Horror Head: Modern horror movies dramatize what’s really terrifying about digital networks: our inability to escape the terror of our embodied lives, ensaio de Stephanie Monohan. Publicado na Real Life em 8 de junho, 2017.
> Acceleration, artigo de David Rojas. Publicado no Cultural Anthropology em 28 de junho, 2017.
> Weird, Eerie, and Monstrous: A Review of “The Weird and the Eerie” by Mark Fisher, artigo de Eugene Thacker. Publicado no boundary2 em 27 de junho, 2017.

O mês de junho parece que foi tão vazio de motivações, tão nebuloso de futuros, ao mesmo tempo em que foi tão rico de algumas poucas leituras e abundante de escrita. E, claro, teve o filme excelente da Mulher-Maravilha para me sacudir e me trazer de volta à vida. Exatamente um ano atrás era na Diana que eu buscava forças e respostas para lidar mentalmente com o massacre em Orlando sem descambar para o ódio e para o cinismo. Não caí nesse buraco negro dessa vez também. Obrigado, Diana.

Fique com mais um trechinho do ensaio sobre violência de Anne Bogart:

To be articulate in the face of limitations is where the violence sets in. This act of necessary violence, which at first seems to limit freedom and close down options, in turn opens up many more options and asks for a deeper sense of freedom from the artist.

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