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Ideias sobre poliamorismo na vida e na literatura

Já comentei pelo Twitter e pelo Facebook que tenho vontade de organizar uma coletânea de ficção (não necessariamente fantástica) com a temática do poliamor. No meu otimismo, acredito que lá pelo segundo semestre do ano que vem ela possa começar a acontecer. Vai depender da minha habilidade de me guiar no meio desse caos em que me encontro. Até lá, ando lendo bastante sobre o assunto e buscando novas visões, principalmente de gente que vive algum tipo de relação poliamorista. E entre essas leituras, destaco uma excelente série de artigos do site Modern Poly, que trata do poliamorismo em relação com outros temas como raça, identidades de gênero e/ou sexualidade queer, religião e pensamento político:

Poly and Asian
Poly and Boricua
Poly and Black
Poly and Gender
Poly and Genderqueer
Poly and Catholic
Poly and Jewish
Poly and Chicana
Poly and Skepticism
Poly and Gender Nonconformist
Poly and Anarcho-Communist

Como dá pra ver, tem de tudo um pouco. Relações pra todos os gostos. Se você é escritor, dê uma lida nesses artigos, pra desintoxicar um pouco a mente do panorama pré-concebido de putaria orgiástica satânica que a maioria das pessoas têm quando se fala em poliamor. Porque nas mãos do senso comum esse acaba sendo um dos grandes problemas na hora de escrever sobre uma relação que envolva mais de duas pessoas. Sabe aquele personagem gay de novela que é carnavalesco, afetadíssimo e só aparece pra servir de bobo da corte? E aquele personagem que pratica BDSM porque sofreu algum abuso na infância e ficou com um tremendo de um trauma violento? E o bissexual que na verdade é um indeciso enrustido? Esses lugares-comuns preconceituosos distorcem a realidade e só fazem contribuir pra mais discriminação. Dá pra contar nos dedos quantas vezes eu li algo que tratava de relações poliamoristas sem cair nesses erros. Ou sem que a história focasse exclusivamente na vida sexual dos personagens. Falar de sexualidade não é falar só do ato sexual. Aliás, algo que penso em fazer na coletânea é focar menos no sexo e mais nas questões sociais e familiares que uma vida poliamorista enfrenta. Por exemplo, como seria a infância de uma criança numa família composta por três pais e uma mãe?

E falando em família, recentemente o Brasil ganhou as manchetes do mundo inteiro com a formalização de uma união civil de três pessoas, em São Paulo. Depois que baixar a polêmica do casamento gay, será a vez das uniões poliamoristas. Mas como bem disse uma das mulheres da união a três, eles não inventaram nada, apenas oficializaram algo que já existia. Isso é uma questão central. Poliamorismo não nasceu ontem, nem foi invenção da modernidade. Muito pelo contrário, taí pelo mundo desde antes da instituição do casamento tradicional. Deal with it.

Notas:

1. Ah, mas eu não conheço quase nada de poliamorismo e ando sem paciência pra ler trocentos artigos. Então escute o podcast Polyamory Weekly. (Grande dica do Eric Novello). Recomendo especialmente o episódio 50 Shades of Wrong, que destrincha de maneira hilária os erros da famosa trilogia de pornô pra mamães.

2. Na literatura fantástica nacional, um romance que possui relações poliamoristas bem escritas (e com protagonistas) é o Crônicas de Atlântida – O tabuleiro dos deuses, do Antonio Luiz M.C. Costa, pela Editora Draco. Vale a pena conferir.

3. O novo número da revista de arte e literatura Side B Magazine vem com o título de Sex, Gender & Sexuality. Dentre as 40 páginas, destaco um ótimo artigo sobre Adrienne Rich, premiada poeta e ensaísta feminista que faleceu em Março desse ano. A edição digital custa apenas 2 dólares.

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