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Categoria: Minha Ficção

Distinta Juventude e meia dúzia de palavras sobre a Geração Y

Fui autora convidada no Quotidianos esse sábado, dia 5. O coletivo de escritores e artistas visuais que eu fiz parte ano passado continua firme e forte agora em 2014 e voltou aos trabalhos recentemente. Meu conto da vez por lá foi uma história de um parágrafo só chamada Distinta Juventude. Mas não se preocupem, tem um TL;DR no final. Saca um trechinho:

Aveline. 20 anos, 4 meses, 13 dias e um borrão de horas esticadas lendo um tópico de creepypasta no Reddit. Sem diploma escolar. Independente à força desde os 16, quando foi empurrada pra fora de casa e tomou uma surra nas ruas estreitas do centro da cidade. Três costelas quebradas e um saco de roupas e livros pendurado no ombro. Uma cabeça afiada demais para um mundo em pedaços. Millennials sim e obrigada, mas não queremos carros, apenas um transporte público sem estupros, por favor. Geração Y. Cromossomos XY. Gênero XX. Linguagem XXX. Ctrl+Shift+N para o Xvideos porque o pc é compartilhado com o colega de quarto que divide as contas.

Clique aqui para ir ao Quotidianos e ler tudo. O conto é ilustrado por Jade Simões.

Meti alguns links ao longo do texto. É para aqueles que gostam de descer para a segunda camada da história e conhecer algumas das referências mais explícitas. Os degraus levam para mais cômodos subterrâneos, se você curte explorar por conta própria e cair de link em link. Recomendo que faça isso. Mas se você é dos que sabem tirar proveito desse tipo de coisa, recomendar é desnecessário. Já tem um porrão de abas abertas aí e você tá esfomeado por mais, que eu sei. Vem cá e me dá um abraço. Bem-vindo ao clube.

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“Não é homofobia, mas…”

Essa segunda saiu um episódio novo do podcast feminista We Can Cast It, capitaneado por Aline Valek e Gizelli Souza. O episódio – com Clara Averbuck de convidada – fala sobre representação e visibilidade de mulheres na literatura, mulheres como escritoras e personagens. O papo é excelente e tem uma trilha sonora bem gostosinha. Mas o que quero destacar aqui é um post de Olivia Maia que foi citado na conversa, chamado Ser escritora. Quero destacar dois parágrafos, mas leia o texto inteiro no site da autora, que é um tapa muito bem dado:

ora, porque a maioria dos protagonistas da literatura universal são sempre homens, de forma que o normal da literatura é o protagonista homem, e toda protagonista mulher precisa ser justificada, estar ali para provar alguma coisa ou demonstrar qualquer questão muito exclusivamente feminina. ela não pode ser mulher simplesmente porque nasceu assim, cazzo, e o livro não precisa ser sobre questões femininas, como se todo livro com um protagonista homem fosse sobre questões masculinas.

o foda de ser escritora mulher é o tempo todo precisar se justificar. dizer que aquela personagem não é seu alter-ego. é cansar de fazer personagens homens, para se desviar desse monte de dedo apontado. e afinal também esses a gente tem que justificar, e até parece que uma escritora mulher poderia escrever de forma convincente sobre um homem.

Essa realização é tão verdadeira que dói. E assim que eu li essas palavras, percebi que algo bastante similar acontece com personagens queer.

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Obras online disponíveis gratuitamente de escritoras brasileiras de FC&F

Seguindo o post de indicações de escritoras nacionas, a Ana Cristina compilou 20 obras disponíveis online gratuitamente para o pessoal ler. Ou ouvir. No meu caso, o conto indicado foi a versão em áudio de Quem atirou na minha cabeça?, dramatizado por Paulo Elache em seu podcast PodEspecular. (Trigger warning: ouça com fones de ouvido, porque há uma quantidade obscena de palavrões. Cês sabem, né. Meu jeitinho). Uma versão estendida dessa história foi publicada em ebook pela Editora Draco e tá só R$ 2,99. Clique aqui para saber onde comprar. Para conhecer outros trabalhos meus, dá uma conferida na minha lista de publicações. Mas, se o que você quer mesmo é curtir um 0800, minhas obras disponíveis online são:

Moleque, conto new weird publicado no meu livro Metanfetaedro (Tarja Editorial, 2012).

Imaginística, conto de fantasia stonepunk publicado na coletânea Retrofuturismo ~ Compêndio do Comendador Romeu Martins sobre Variantes do Punk e suas Associações Inimagináveis (Tarja Editorial, 2013).

Morgana Memphis contra a Irmandade Gravibranâmica, conto de ficção científica publicado na coletânea A Fantástica Literatura Queer ~ Volume Vermelho (Tarja Editorial, 2011).

Just Like Jesse James, conto de weird western publicado na coletânea Cursed City ~ Onde as Almas não têm Valor (Editora Estronho, 2011).

Pequenas histórias publicadas no coletivo Quotidianos, ilustradas por Rogério Geo.

Meu livro de contos com ilustrações Metanfetaedro, publicado pela recém-fechada Tarja Editorial, está à venda diretamente comigo por R$ 35, com frete incluso para qualquer lugar do Brasil, autógrafo e dedicatória. São os últimos exemplares disponíveis. O livro não terá novas tiragens. Então, se quiser garantir o seu, entre em contato por email.

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Escritoras brasileiras de literatura fantástica

Ontem a Ana Cristina Rodrigues publicou em seu blog pessoal uma lista de escritoras nacionas de FC&F que ela curte e recomenda. Eu tô lá na lista. Obrigada, Ana! *abraça*

Pouco tempo depois do post entrar no ar, a Ana começou a receber alguns hate comments anônimos de gente que não concordava com a lista porque achava que fulana é melhor que beltrana, ou que tava faltando nome ou nomes que tavam lá só porque a Ana tem amizade com a pessoa e blá blá feijoada nada acontece. O pior é perceber que eu nem fiquei surpresa em ver que a Ana tava recebendo hate comment. Sinal de que o ambiente não anda saudável há muito, muito tempo.

Reproduzo abaixo um trecho do post do autor americano Chuck Wendig sobre a recente polêmica envolvendo Jonathan Ross e a premiação do Hugo:

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Exemplares da antologia Paradigmas Definitivos à venda

Editora Tarja - Paradigmas DefinitivosAlém do Metanfetaedro, peguei também alguns exemplares da Paradigmas Definitivos, um livrão da Tarja Editorial com contos e noveletas de diversos gêneros da Fantasia e da Ficção Científica. O livro reúne 23 autores e eu participo dele com o conto Moleque. Estou super bem acompanhada na antologia por nomes como Jacques Barcia, Cristina Lasaitis e Flávio Medeiros. Tenho aqui 10 6 exemplares para venda. Cada um sai por R$ 25 com frete incluso para qualquer lugar do país. E claro, com direito a autógrafo e dedicatória. Para garantir o seu, entre em contato por email com Paradigmas Definitivos no assunto.

Clique aqui para conferir uma amostra em .pdf da obra e dar uma olhada no projeto gráfico do livro e no começo do conto da Cristina Lasaitis.

Texto da orelha do livro:

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Pizza de Drone-Patinho, conto publicado na antologia Dystopia

Minha primeira publicação de 2014 é o conto Pizza de Drone-Patinho, que saiu na antologia Dystopia, do Selo Taberna. O livro saiu apenas em ebook, em formato .pdf. Em breve sairá em formato .epub também. O livro tava pra ser publicado já há algum tempo. Escrevi esse conto na metade de 2012, quando recebi o convite para participar da antologia, que tem organização de Cândido Ruiz e prefácio de Romeu Martins.

Para quem curtiu meus contos Fritei minha dignidade no bacon e Quem atirou na minha cabeça?, o Pizza de Drone-Patinho vai agradar pelos mesmos motivos. É uma aventura engraçaralha verborrágica cheia das tecnomaluquices. E, sim, o drone-patinho é literalmente um drone em formato de patinho. Que entrega pizzas velhas. Because why not.

Segue um trechinho da história:

Do outro lado da linha, Dalila esbravejava algo sobre alguém que eu nem lembrava que conhecia. Era a prima de um colega desaparecido? Irmã de um amigo que bebia comigo todo fim de semana? Antiga cliente no tráfico de adesivos alucinógenos? Só reconheci a descrição do rabo de raposa e das orelhas pontudas. Tentei entender melhor o chororô abarrotado de palavrões que Dalila me jogava na cara sobre essa puta dessa cadela abóbora de focinho rodado, mas a feiticeira aumentara a voz do discurso profético e eu me vi engolida por uma cacofonia aguda e claustrofóbica.

– A Foice! Você é a verdadeira portadora da Foice de Arkhalial! – gritava a velha brandindo aquela monstruosidade óssea acima da cabeça como se fosse o babuíno erguendo Simba na pedra do reino.

– Minha senhora, eu estou no intrafone! – eu respondia tentando distinguir algo na enxurrada enraivecida que Dalila despejava nos meus ouvidos.

Era o bafo da feiticeira sendo cuspido na minha cara com dentes nicotinados e profecias cinzentas mastigadas na ferida de um deus morto sobre a foice que era corrida e revolução. Era Dalila entre o choro gemido e a histeria gritada me acusando de ter comido a irmã de um animorfo raposa na época em que namorávamos e depois jurando que iria se vingar com a ajuda de uma necromante. Era a penumbra âmbar esfumaçada numa fogueira de incensos de maçã podre rodopiando pela juta da tenda e me fazendo aceitar a foice das mãos da velha e sair a passos largos daquele antro antes que eu mandasse a mulher enfiar a arma no cu do Deus Degolado.

A antologia está à venda no site do Selo Taberna.

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