Aperte "Enter" para pular para o conteúdo

Categoria: Lendo Não-Ficção

Leituras de Abril/2017

Já posso dizer que estou cumprindo pelo menos um dos meus objetivos para o ano: ler mais ficção. Talvez pela natureza dos livros, minhas leituras de não-ficção estão andando a passos mais vagarosos, enquanto devoro romances em dois ou três dias e vou preenchendo o tempo entre literaturas com newsletters e artigos em blogs e revistas. Desde que parei de olhar timelines, minha inbox de newsletters não acumula mais como antes. O que eu preciso é fazer um esforço para ler mais contos online. Tenho uma cacetada guardados no Pocket e acabo esquecendo.

Voltei a usar o app do Kindle para PC. Resolvi tentar uma última vez reinstalar o programa e dessa vez o bicho tá funcionando direitinho. Ainda não sei qual foi o problema que bugou da outra vez, mas seja lá o que for, a atualização resolveu.

As imagens que estou usando para ilustrar os posts das leituras mensais são do tumblr People Reading In Movies. Daqueles tumblrs que se já não existissem, eu teria que inventar.

Leituras de Março/2017

Março foi mais um mês bem levinho em leituras e pesado em ruminações existenciais e tropeços mentais. O que eu mais li em março foi fanfic, o que não é novidade para absolutamente ninguém. Devorei boa parte do arquivo do AO3 na tag Myka Bering/Helena “H. G.” Wells, personagens do seriado Warehouse 13. Tô atrasado na meta de 100 livros para 2017. Vamos ver se recupero nos próximos meses.

Livros de ficção

> Agents of Dreamland, de Caitlín R. Kiernan. Novela. 112 páginas. Publicado por Tor, 2017. [Goodreads] [Amazon]
> Não chore, de Luiz Bras e Teo Adorno. Novela. 152 páginas. Publicado por Patuá, 2016. [Goodreads]

Leituras em andamento

Leituras de Fevereiro/2017

Eu costumava ler boa parte dos meus ebooks no aplicativo pra PC do Kindle (não tenho o aparelho). Era o aplicativo que eu achava mais confortável. Quando eu tinha opção de baixar .mobi ou .epub, sempre escolhia .mobi. Até que por algum motivo desconhecido, o aplicativo parou de funcionar. Cheguei a entrar em contato com o suporte técnico da Amazon, mas eles também não tinha a solução. Resultado: abandonei o aplicativo pra PC do Kindle e passei a ler ebooks no Icecream, que eu demorei pra pegar o gosto, mas tá indo. E os ebooks que adquiri pela Amazon, leio no aplicativo pra web.

Eu tinha planejado ler uma série de livros sobre violência em fevereiro e, como vários outros planejamentos que faço na vida, esse também não foi pra frente porque eu mesmo me atropelei com outras leituras abusadas que furaram a fila. Entre elas os livros do Wolfram e do Gleick, que comecei a ler ao mesmo tempo em que comecei a assistir as aulas de um curso de dinâmica não-linear.

Quebrando o ritmo de janeiro, quando li 12 livros, em fevereiro eu completei zero livros. Então essa breve lista será a das leituras em andamento e dos artigos recomendados.

Leituras de Janeiro/2017

Estou recuperando o ritmo de leitura de literatura que eu havia perdido desde meados de 2014 e estou bem feliz. Nesse janeiro de 2017 eu consegui não só me concentrar nos textos, mas me divertir e me satisfazer com eles–diferente do ano passado quando eu me arrastava por várias leituras fragmentadas e não-concluídas enquanto devorava quadrinhos e nada grudava muito tempo na memória.

Vamos à lista.

Não sou de fazer resenhas porque não gosto de escrever sobre uma obra tendo que me preocupar em não dar spoilers. Nos próximos dias postarei notas e observações sobre algumas das leituras.

O link do Goodreads vai te levar até a página do livro na minha estante do Goodreads, onde às vezes eu posto breves comentários e, ao final, sempre dou um número X/5 de estrelas para o livro.

Livros de ficção

> A Casa de Vidro (As Estações #1), de Anna Fagundes Martino. Novela. 78 páginas. Publicado por Dame Blanche, 2016. [Goodreads] [Amazon]
> Beleza Perdida, de Amy Harmon. Traduzido por Monique D’Orazio. Romance. 332 páginas. Publicado por Verus, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> Trasgo #12, org. Clara Madrigano. Várias autoras. Revista de contos. 103 páginas. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]
> Gutshot, de Amelia Gray. Livro de contos. 224 páginas. Publicado por FSG Originals, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli. Romance. 176 páginas. Publicado por Companhia das Letras, 2014. [Goodreads] [Amazon]
> Stone Butch Blues, por Leslie Feinberg. Romance. 386 páginas. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]

Mães Literárias

Assino no Feedly um blog/tumblr chamado Literary Mothers (atualização: o tumblr não existe mais), uma coleção de pequenos ensaios sobre escritoras que influenciaram a vida de leitores. São textos curtos, recheados de sensibilidade e bem delicinhas de ler. Dentre os ensaios mais recentes, Caledonia Kearns escreve sobre Nora Ephron, Cora Currier escreve sobre Elizabeth Bishop, e Angela Jackson-Brown escreve sobre Maya Angelou. O blog tem chamada aberta para submissão. Penso que se fosse eu a escrever sobre uma mãe literária, escreveria sobre Virginia Woolf–existe maternidade literária mais clichê que essa?, tô cheia de irmãs e irmãos dessa mãe. Mas é que Woolf foi divisor de águas & farol em tempestade & abrigo na minha vida mesmo. O livro culpado desse marco foi Mrs. Dalloway, lido pela primeira vez no meio da adolescência, e relido incontáveis vezes ao longo dos anos tanto em português quanto em inglês. Dali para obsessões seguintes com A Room Of One’s Own e Orlando foi um pulo. Virginia Woolf é mãe que me fornece alimento inesgotável, inquietudes nutritivas, e conforto incondicional.

Mães literárias têm desse abraço infinito.

“Quando eu falo para as pessoas que os livros de Dr. Angelou salvaram minha vida, eu não estou exagerando,” diz Jackson-Brown.

Um Meteoro No Meu Epitáfio

Pensando naqueles dias em que acordo no aguardo do meteoro cair em nossas cabeças, vou deixar aqui esse trecho de calamidade cósmica:

Você não precisa procurar muito para achar predições assustadoras de um holocausto global causado por asteroides. Isso é bom, porque a maioria do que você já deve ter visto, lido, ou ouvido é verdade.

As chances de que a minha ou a sua lápide terá um ‘morto por asteroide’ são as mesmas de que ela terá um ‘morto num acidente de avião’. Aproximadamente duas dúzias de pessoas morreram atingidas por asteroides nos últimos 400 anos, mas milhares pereceram em quedas de avião durante a breve história da viagem aérea. Então como essa estatística comparada pode ser verdade? Simples. O registro de impactos mostra que ao final de 10 milhões de anos, quando a soma de todas as quedas de avião tiverem matado um bilhão de pessoas (assumindo uma taxa de morte-por-avião de 100 por ano), um asteroide é mais provável de ter atingido a Terra com energia suficiente para matar um bilhão de pessoas. O que confunde a interpretação é que enquanto aviões matam algumas pessoas por vez, nosso asteroide pode não matar ninguém por milhões de anos. Mas quando ele cair, vai tirar milhares de milhões de vidas instantaneamente e muitas outras milhares de milhões no começo de uma revolta no clima global.

A taxa combinada de impactos de cometas e asteroides no sistema solar primitivo era espantosamente alta. Teorias e modelos de formação de planetas mostram que o gás quimicamente rico se condensa para formar moléculas, entao partículas de poeira, e então rochas e gelo. Depois disso, é um tiroteio. Colisões servem como meio para forças químicas e gravitacionais ligarem objetos menores em objetos maiores. Aqueles objetos que, por sorte, aglutinarem um pouco mais de massa do que a média terão gravidade ligeiramente maior e atrairão outros objetos ainda mais. Conforme a acreção continua, a gravidade molda bolhas em esferas e planetas nascem. Os planetas mais massivos possuíam gravidade suficiente para reter envelopes gasosos. Todos os planetas continuam a aglutinar pelo resto de seus dias, mas em taxas significativamente menores do que quando se formaram.

Ainda assim, bilhões (provavelmente trilhões) de cometas permanecem no extremo distante do sistema solar, até mil vezes o tamanho da órbita de Plutão, e são suscetíveis a cutucões gravitacionais de estrelas passageiras e nuvens interestelares que os colocam numa longa jornada interior em direção ao Sol. Os restos do sistema solar também incluem cometas curtos, dos quais sabe-se que vários cruzam a órbita da Terra, e milhares de asteroides que fazem o mesmo.

O termo ‘acreção’ é menos efetivo que ‘impacto destruidor-de-ecossistemas-e-matador-de-espécies’. Mas do ponto de vista da história do sistema solar, os termos são os mesmos. Nós não podemos estar simultaneamente felizes que vivemos num planeta; felizes que nosso planeta é quimicamente rico; e felizes que não somos dinossauros; porém ressentir o risco de uma catástrofe planetária. Parte da energia de colisões de asteroides com a Terra é liberada em nossa atmosfera através de fricção e numa ruptura de ondas de choque. Estrondos sônicos são ondas de choque também, mas eles são normalmente criados por aviões com velocidades entre uma e três vezes a velocidade do som. O pior dano que eles podem causar é uma sacudida nos pratos do armário da sua cozinha. Mas com velocidades de mais de 70 mil quilômetros por hora—quase setenta vezes a velocidade do som—as ondas de choque da colisão entre um asteroide e a Terra podem ser devastadoras.

Se o asteroide ou cometa é grande o suficiente para sobreviver suas próprias ondas de choque, o resto de sua energia é depositada na superfície da Terra num evento explosivo que derrete o solo e explode uma cratera que pode medir vinte vezes o diâmetro do objeto original. Se muitos objetos celetes caíssem com intervalos curtos a cada evento, a superfície da Terra não teria tempo suficiente para esfriar entre os impactos. Nós inferimos a partir do registro imaculado de crateras na superfície da Lua (nosso vizinho mais próximo no espaço) que a Terra passou por uma era de bombardeamento pesado entre 4.6 e 4 bilhões de anos atrás. A evidência fóssil de vida mais antiga data de aproximadamente 3.8 bilhões de anos atrás. Não muito antes daquilo, a superfície da Terra era impiedosamente estéril, então a formação de moléculas complexas, e portanto vida, era inibida. Apesar dessas más notícias, todos os ingredientes básicos estavam sendo entregues.

LENDO: Death by Black Hole: And Other Cosmic Quandaries, de Neil deGrasse Tyson. Publicado em 2007 pela W.W. Norton.