Leituras de Julho/2017

I. No começo de julho saiu uma entrevista muito boa com Luiz Bras no Dossiê Ficção Científica da Revista Com Ciência. O papo é sobre os estados, sabores e transformações da FC brasileira e sobre as descobertas e pesquisas científicas que tão mordendo o calcanhar da ficção contemporânea para devorar a realidade. Esse mês terminei de ler seu livro Distrito Federal, que ele comenta na entrevista:

Distrito Federal apresenta muitos enredos paralelos, mas o principal é a corrupção moral na política brasileira. É uma narrativa em que a alta tecnologia encontra o sobrenatural, reforçando a famosa premissa de Arthur C. Clarke: “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia”. Os dois personagens centrais − um ciborgue possuído por um espírito maligno e uma inteligência artificial sofisticadíssima − desvelam ao leitor uma realidade social perversa, pós-humana, em que a luta de classes ocorre agora também no plano evolutivo.

Gostei muito da maneira como a linguagem utilizada na rapsódia soou como um instrumento de percussão eletrônica que foi hackeado–nas repetições, nas recorrências, nas referências cruzadas, no retorno autossemelhante. Mas não foi um livro que li rápido. Requer algumas intermissões. Deu vontade de ver esse texto adaptado (e expandido?) para algum mamute interativo multimídia ao estilo de Homestuck ou 17776. O volume com ilustrações e capa dura tá muito caprichado.

II. Quando comecei a ler Big Little Lies em maio, achei que terminaria o livro preferindo o seriado, que ainda brilhava fresco na minha cabeça–e me desorientou bonito porque assisti todos os episódios de uma vez só, da noite de um domingo até a manhã de uma segunda. O que aconteceu foi que me reapaixonei por cada um dos personagens e guardo as duas versões da história com carinho, em todas as suas diferenças. Meio como faço com The Hours.

Não tenho costume de marcar trechos em livros de ficção. Faço isso com os de não-ficção, que terminam entupidos de notas. Mas me senti compelido a marcar um único trecho de Big Little Lies, esse parágrafo do capítulo 35 que parece um poema:

It wasn’t beautiful people like Celeste who were drawing Jane’s eyes, but ordinary people and the beautiful ordinariness of their bodies. A tanned forearm with a tattoo of the sun reaching out across the counter at the service station. The back of an older man’s neck in a queue at the supermarket. Calf muscles and collarbones. It was the strangest thing. She was reminded of her father, who years ago had an operation on his sinuses that returned the sense of smell he hadn’t realized he’d lost. The simplest smells sent him into rhapsodies of delight. He kept sniffing Jane’s mother’s neck and saying dreamily, “I’d forgotten your mother’s smell! I didn’t know I’d forgotten it!”

III. Eu não sabia o que esperar de River of Teeth. Quando li na sinopse que a novela se passa no começo do século XX, num mundo alternativo em que os Estados Unidos importaram hipopótamos que seriam criados e abatidos para a venda de carne, e que as coisas deram errado e havia um pântano cheio de hipopótamos selvagens ferozes à solta, o dedo de comprar o ebook já tava tremendo. Eu esperava uma aventura e recebi essa aventura–tão boa quanto achei que seria. Também recebi um protagonista não-binário muito bem escrito e um romance inesperado de amolecer qualquer um. Tô impaciente para ler a continuação.

Livros de ficção

> The Book of Phoenix (Who Fears Death 0.1), de Nnedi Okorafor. Romance. 241 páginas. Publicado por Hodder & Stoughton. 2015. [Goodreads] [Amazon]
> River of Teeth (River of Teeth #1), de Sarah Gailey. Novela. 176 páginas. Publicado por Tor. 2017. [Goodreads] [Amazon]
> Distrito Federal, de Luiz Bras. Ilustrado por Teo Adorno. Rapsódia/Romance. 280 páginas. Publicado por Patuá. 2014. [Goodreads]
> Big Little Lies, de Liane Moriarty. Romance. 449 páginas. Publicado por Berkley. 2014. [Goodreads] [Amazon]

Livros de não-ficção

> Diante da dor dos outros, de Susan Sontag. Tradução de Rubens Figueiredo. Ensaios. 112 páginas. Publicado por Companhia das Letras. 2003. [Goodreads] [Amazon]
> Spirits of Place, de vários autores. Ensaios. 225 páginas. Publicado por Daily Grail Publishing. 2016. [Goodreads] [Amazon]

Ficção curta disponível online

> The Voice of The People, de Alison Moore. Publicado no Weird Fiction Review. 2017.
> These Deathless Bones, de Cassandra Khaw. Publicado no Tor. 2017.
> A Question of Faith, de Tonya Liburd. Publicado no Book Smugglers. 2017.
> The Martian Obelisk, de Linda Nagata. Publicado no Tor. 2017.

Leituras em andamento

Essa lista tava crescendo rápido demais com livros que eu não abro há meses. Então resolvi dar uma faxinada.

Não sei quando voltarei para as mil páginas de A New Kind of Science. Não toco em Molecular Red: Theory for the Anthropocene desde o começo do ano e preciso recomeçar do zero. O mesmo vale para Everything Change: An Anthology of Climate Fiction.

Ficaram:

Chaos: Making a New Science, de James Gleick. Livro de não-ficção. Publicado por Open Road Media, 2011. [Goodreads] [Amazon]
The Space of Literature, de Maurice Blanchot. Traduzido para o inglês por Ann Smock. Livro de ensaios. Publicado por University of Nebraska Press, 1989. [Goodreads] [Amazon]
Landmarks, de Robert Macfarlane. Livro de não-ficção. Publicado por Penguin, 2015. [Goodreads] [Amazon]
October: The Story of the Russian Revolution, de China Miéville. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2017. [Goodreads] [Amazon]

E o romance que comecei alguns dias atrás e devo terminar até amanhã porque tá gostoso demais:

> Lagoon, de Nnedi Okorafor. Romance. Publicado por Hodder & Stoughton. 2014. [Goodreads] [Amazon]

Outras leituras

Seleção dos melhores artigos em revistas/jornais e posts em blogs que li durante o mês

Inglês:
> The Rise of the Thought Leader: How the superrich have funded a new class of intellectual, artigo de David Sessions. Publicado no New Republic em 28 de junho, 2017.
> Language Arts: If platforms are the way we communicate now, will they always remain a second language?, ensaio de Renée Reizman. Publicado na Real Life em 26 de junho, 2017.
> Player One: The video-game industry is built on the cultish fantasy that all technology and effort can be redeemed as pure pleasure, ensaio de Michael Thomsen. Publicado na Real Life em 21 de junho, 2017.
> Bugs as Features: Digital metaphors for the human microbiome abets fantasies of reprogramming our guts and rebooting our systems, ensaio de Nitin K. Ahuja. Publicado na Real Life em 10 de julho, 2017.
> Cory Doctorow’s ‘Fully Automated Luxury Communist Civilization’, entrevista com Cory Doctorow por Katherine Mangu-Ward. Publicado na Reason em 12 de julho, 2017.
> Entrevista com Toni Morrison, por Mario Kaiser e Sarah Ladipo Manyika. Publicado na Granta em 29 de junho, 2017.
> Cassandra Plays the Stock Market, artigo de Tim Maly. Publicado no Quiet Babylon em 3 de julho, 2017.
> The Ones You Love, ensaio de Juli Fraga. Publicado primeiro na Anxy Magazine nº 1 e depois na newsletter da revista em 18 de julho, 2017.
> Why Social Media Platforms Should Think Twice Before Banning Adult Content, artigo de pjsage. Publicado no Cyborgology em 26 de julho, 2017.
> Transhumanism, Tragic Humanism, and The View From Nowhere, de Abou Farman. Publicado no Platypus em 27 de julho, 2017.

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Visita ao Terminal de Links

Arte de Soey Milk.

O pessoal que colabora com R$ 5 ou mais por mês no APOIA.se do Alliahverso tem acesso à Estação Transdimensional do Avesso do Infinito, nosso grupo fechado lá no Facebook. Uma das coisas que posto no grupo é uma seleção quase-semanal de links intitulada Terminal de Links. Já postei mais de 100 links desde o começo do grupo, então resolvi reunir alguns aqui como amostra. Cada post também é ilustrado pela arte de um artista diferente e sempre com o link para os portfolios. Essa arte da Soey Milk aí em cima, por exemplo, eu escolhi para ilustrar o Terminal de Links #01 em 26 de março.

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Bem-vindo/a ao mostruário do Terminal! Cuidado com o espaço entre os degraus somatolográficos. Pode sentar nas nuvens e se conectar sem fios e sem medo que nossa ciberlinfa é criptografada.

Terminal de Links

// Descobri o site/zine Heterotopias pelo Twitter através de uma chamada para submissão de pitches. O foco da revista são textos sobre arquitetura e espaço em jogos eletrônicos e o contexto cultural desses jogos. Como leitor ávido do BLDGBLOG, blog do Geoff Manaugh sobre tecnologias, ecossistemas e futurismos relacionados à arquitetura e paisagens/cenários, imagino que o conteúdo da Heterotopias atinge uma série de intersecções do meu interesse. Ainda não comprei uma edição da revista para conferir (o material do zine é longo e mais experimental do que os posts curtos do site). De qualquer maneira, fica aqui a recomendação. Só os textos do site já são ótimos.

// The Ship Breakers, ensaio fotográfico de navios de carga velhos sendo desmontados e despedaçados.

// Série de tuítes do Guillermo del Toro sobre a criação de monstros.

// Science fiction horror wriggles into reality with discovery of giant sulfur-powered shipworm, matéria do Phys.org.
Eu adoro que essas chamadas do Phys.org já valem a máteria inteira. Se quebrar uns trechos, dá pra compartimentalizar a loucura em contos:
> HORROR WRIGGELS INTO REALITY
> GIANT SULFUR-POWERED SHIPWORM
Não é à toa que o Warren Ellis comentou numa palestra sobre essas headlines serem a prova concreta da realidade científica ter superado o estranho da ficção.

// Show da Andra Day no NPR Music Tiny Desk (13:18 min).
Depois de assistir o show de Tank and the Bangas que a Tassi recomendou aqui no grupo, eu caí no buraco negro de assistir outros shows do Tiny Desk–a lista tem mais de 400 vídeos–e tô recomendando esse da Andra Day porque meu encanto com ela é recente (desde o ano passado). Daí fui ver o canal dela também e me deparei com esse mashup delicioso de He Can Only Hold Her vs. Doo-Wop (Amy Winehouse & Lauryn Hill) que foi postado em 2012.

// ‘Carandiru’ a ‘Prisioneiras’, entrevista com Drauzio Varella no canal do Nexo Jornal (25:06 min).

// PBDB Navigator, site interativo bem legal onde você pode explorar um banco de dados de paleobiologia e ver, por exemplo, quais fósseis foram descobertos em quais localizações geográficas.

// Para entender um pouco mais sobre o clima, nossas ansiedades ecológicas vivendo no antropoceno e o aquecimento global em cinco artigos:
1. The Uninhabitable Earth, artigo longo de David Wallace-Wells na New York Mag que é mais especulação dos horrores do que ciência exata, mas que vale a pena ler por inteiro.
A resposta Do not believe New York Mag’s climate change doomsday scenario, por Andrew Freedman e cientistas que refutaram os erros e exageros do texto.
E este pequeno artigo Stop scaring people about climate change. It doesn’t work., de Eric Holthaus.
2. Short Answers to Hard Questions About Climate Change, artigo de Justin Gillis em formato de perguntas & respostas publicado no The New York Times.
3. ‘A reckoning for our species’: the philosopher prophet of the Anthropocene, artigo longo de Alex Blasdel no The Guardian sobre o Timothy Morton, um dos meus filósofos contemporâneos favoritos (lá no mesmo patamar que considero o Eugene Thacker).

// Clipe da música Stars, de Connie Constance (3:12 min).
Descobri essa cantora recentemente quando pesquisava músicas para montar a playlist de um dos contos que estou escrevendo.

// Canal do artista de xilogravura japonesa David Bull, com vários vídeos que mostram como ele cria as gravuras, do começo ao fim.
As partes dele fazendo os entalhes na madeira são minhas favoritas. Trabalhar com madeira é daqueles ofícios que ainda quero aprender em algum futuro–e tocar bateria, também sempre quis aprender a tocar bateria.

Bônus: remember when abercrombie and fitch hired slavoj zizek to write copy for their back to school catalog.

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Leituras de Junho/2017

Tenho a mania de dizer que junho nunca é um bom mês porque é o mês do meu aniversário e eu fico melancólico e desesperançoso enquanto transito no horizonte de eventos do meu aniversário, tentando não ser engolido pela apatia ou pelo desespero. Mas a verdade é que consegui ter momentos de clareza e não desacelerei a escrita dos meus romances–bateram até ideias para escrever contos avulsos que quero publicar de forma independente e já estou trabalhando neles.

Um dos ensaios do livro A Director Prepares: Seven Essays on Art and Theatre foi, de longe, a leitura mais importante do mês. O ensaio sobre a violência da decisão na arte. O livro faz parte de uma lista que organizei lá no começo do ano com o tema violência em suas mais diversas interpretações, manifestações e significados. Pesquisa para um dos romances em andamento. Devo reler mais algumas vezes nas próximas semanas. As observações da Anne Bogart dialogam muito com aquilo que estou explorando na história.

Art is violent. To be decisive is violent. Antonin Artaud defined cruelty as ‘unrelenting decisiveness, diligence, strictness’. To place a chair at a particular angle on the stage destroys every other possible choice, every other option. When an actor achieves a spontaneous, intuitive, or passionate moment in rehearsal, the director utters the fateful words ‘keep it’, eliminating all other potential solutions. These two cruel words, ‘keep it’, plunge a knife into the heart of the actor who knows that the next attempt to re-create that result will be false, affected and lifeless. But, deep down, the actor also knows that improvisation is not yet art. Only when something has been decided can the work really begin. The decisiveness, the cruelty, which has extinguished the spontaneity of the moment, demands that the actor begin an extraordinary work: to resurrect the dead. The actor must now find a new, deeper spontaneity within this set form. And this, to me, is why actors are heroes. They accept this violence and work with it, bringing skill and imagination to the art of repetition.

Livros de não-ficção

> Cunning Plans: Talks By Warren Ellis, de Warren Ellis. Coleção de palestras. 52 páginas. Publicado por SUMMON Books, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> A Director Prepares: Seven Essays on Art and Theatre, de Anne Bogart. Coleção de ensaios. 168 páginas. Publicado por Routledge, 2001. [Goodreads] [Amazon]

Contos disponíveis online

> Red as Blood and White as Bone, de Theodora Goss. Publicado no Tor. 2016.
> Beauty, Glory, Thrift, de Alison Tam. Publicado no The Book Smugglers. 2017.
> Blue is a Darkness Weakened by Light, de Sarah McCarry. Publicado no Tor. 2016.
> Cat Pictures Please, de Naomi Kritzer. Publicado na Clarkesworld. 2015.
> eyes I dare not meet in dreams, de Sunny Moraine. Publicado no Tor. 2017.

Leituras em andamento

A New Kind of Science, de Stephen Wolfram. Livro de não-ficção. Publicado por Wolfram Media, 2002. [Goodreads] [Amazon]
Chaos: Making a New Science, de James Gleick. Livro de não-ficção. Publicado por Open Road Media, 2011. [Goodreads] [Amazon]
> Molecular Red: Theory for the Anthropocene, de Kenneth McKenzie Wark. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> Everything Change: An Anthology of Climate Fiction, org. Manjana Milkoreit, Meredith Martinez e Joey Eschrich. Vários autores. Livro de contos. Publicado por ASU Imagination and Climate Futures Initiative, 2016. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]
The Space of Literature, de Maurice Blanchot. Traduzido para o inglês por Ann Smock. Livro de ensaios. Publicado por University of Nebraska Press, 1989. [Goodreads] [Amazon]
Diante da dor dos outros, de Susan Sontag. Traduzido para o português por Rubens Figueiredo. Publicado por Companhia das Letras, 2003. [Goodreads] [Amazon]
Spirits of Place. Vários autores. Livro de ensaios. Publicado por Daily Grail Publishing, 2016. [Goodreads] [Amazon]
Landmarks, de Robert Macfarlane. Livro de não-ficção. Publicado por Penguin, 2015. [Goodreads] [Amazon]
Big Little Lies, de Liane Moriarty. Romance. Publicado por Berkley, 2014. [Goodreads] [Amazon]
October: The Story of the Russian Revolution, de China Miéville. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2017. [Goodreads] [Amazon]

Quadrinhos

Assisti o filme da Mulher-Maravilha, saí do cinema transformado e encantando e caí na febre de reler alguns gibis (principalmente partes soltas de histórias do Greg Rucka e da Gail Simone, à caça de momentos favoritos que ficaram marcados na memória). Inteiro eu reli a Hiketeia. E descobri um gibi que não conhecia (A League of One, onde a Diana luta com uma dragão!) através de uma lista de recomendações de leitura justamente para quem tinha acabado de assistir o filme e estava com a boca seca por mais.

Lido:
JLA: A League of One, texto e arte de Christopher Moeller. 2000. [Amazon]

Relido:
> Wonder Woman: The Hiketeia, texto de Greg Rucka e arte de J. G. Jones. 2002.
> E vários trechos soltos de várias histórias do Greg Rucka e da Gail Simone.

Outras leituras

Seleção dos melhores artigos em revistas/jornais e posts em blogs que li durante o mês

Português:
> Contar uma boa história, artigo de Camila Von Holdefer. Publicado no Blog do IMS em 29 de maio, 2017.
> Lima Barreto é um bom autor para pensar o contexto brasileiro atual, diz biógrafa, entrevista com Lilia Schwarcz por Paula Miraglia. Publicado no Nexo em 23 de junho, 2017.
> Paratodos, para os pobres, pra ninguém, artigo de Ricardo Teperman. Publicado na Revista Serrote em maio, 2017.

Inglês:
> The Unexpected Afterlife of American Communism, artigo de Sarah Jaffe. Publicado no The New York Times em 6 de junho, 2017.
> Do I Have To Choose Between A Good Life And Good Teeth?, artigo de Jonathan Corcoran. Publicado no BuzzFeed Reader em 2 de junho, 2017.
> Mundane and Plural: Gwendolyn Brooks’s “Riot”, ensaio de David Baker. Publicado na Poetry Magazine em 30 de maio, 2017.
> Obviously, it’s gonna be them light skins, artigo de Nicholas Boston. Publicado no Cyborgology em 14 de junho, 2017.
> In Its First Season, The Handmaid’s Tale’s Greatest Failing Is How It Handles Race, artigo de Angelica Jade Bastién. Publicado no Vulture em 14 de junho, 2017.
> Horror Head: Modern horror movies dramatize what’s really terrifying about digital networks: our inability to escape the terror of our embodied lives, ensaio de Stephanie Monohan. Publicado na Real Life em 8 de junho, 2017.
> Acceleration, artigo de David Rojas. Publicado no Cultural Anthropology em 28 de junho, 2017.
> Weird, Eerie, and Monstrous: A Review of “The Weird and the Eerie” by Mark Fisher, artigo de Eugene Thacker. Publicado no boundary2 em 27 de junho, 2017.

O mês de junho parece que foi tão vazio de motivações, tão nebuloso de futuros, ao mesmo tempo em que foi tão rico de algumas poucas leituras e abundante de escrita. E, claro, teve o filme excelente da Mulher-Maravilha para me sacudir e me trazer de volta à vida. Exatamente um ano atrás era na Diana que eu buscava forças e respostas para lidar mentalmente com o massacre em Orlando sem descambar para o ódio e para o cinismo. Não caí nesse buraco negro dessa vez também. Obrigado, Diana.

Fique com mais um trechinho do ensaio sobre violência de Anne Bogart:

To be articulate in the face of limitations is where the violence sets in. This act of necessary violence, which at first seems to limit freedom and close down options, in turn opens up many more options and asks for a deeper sense of freedom from the artist.

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Leituras de Maio/2017

O mês foi leve em leitura de literatura, mas em compensação tive dias ótimos de escrita nos meus dois romances e eles estão avançando bem.

Como dá para ver ali embaixo, minha lista de leituras em andamento já tá enorme. Vou focar em terminar a maioria daqueles livros antes de começar algum novo–é um impulso bem desgraçado esse de sair pegando leituras novas sem ter completado as antigas. Planejo começar a leitura da minha listinha de cyberpunks (nacionais e internacionais) e escrever sobre eles depois que eu desengarrafar essas leituras em andamento acumuladas.

Contos

> Elektrograd: Rusted Blood, de Warren Ellis. 41 páginas. Publicado por SUMMON Books, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> Entre Estantes, de Olívia Pilar. 10 páginas. Publicação independente, 2017. [Goodreads] [Amazon]
> Tempo ao tempo, de Olívia Pilar. 20 páginas. Publicação independente, 2017. [Goodreads] [Amazon]

Leituras em andamento

A New Kind of Science, de Stephen Wolfram. Livro de não-ficção. Publicado por Wolfram Media, 2002. [Goodreads] [Amazon]
Chaos: Making a New Science, de James Gleick. Livro de não-ficção. Publicado por Open Road Media, 2011. [Goodreads] [Amazon]
> Molecular Red: Theory for the Anthropocene, de Kenneth McKenzie Wark. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> Everything Change: An Anthology of Climate Fiction, org. Manjana Milkoreit, Meredith Martinez e Joey Eschrich. Vários autores. Livro de contos. Publicado por ASU Imagination and Climate Futures Initiative, 2016. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]
The Space of Literature, de Maurice Blanchot. Traduzido para o inglês por Ann Smock. Livro de ensaios. Publicado por University of Nebraska Press, 1989. [Goodreads] [Amazon]
Diante da dor dos outros, de Susan Sontag. Traduzido para o português por Rubens Figueiredo. Publicado por Companhia das Letras, 2003. [Goodreads] [Amazon]
Spirits of Place. Vários autores. Livro de ensaios. Publicado por Daily Grail Publishing, 2016. [Goodreads] [Amazon]
Landmarks, de Robert Macfarlane. Livro de não-ficção. Publicado por Penguin, 2015. [Goodreads] [Amazon]
Cunning Plans: Talks By Warren Ellis, livro de palestras do Warren Ellis. Publicado por SUMMON Books, 2015. [Goodreads] [Amazon]
Big Little Lies, de Liane Moriarty. Romance. Publicado por Berkley, 2014. [Goodreads] [Amazon]
October: The Story of the Russian Revolution, de China Miéville. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2017. [Goodreads] [Amazon]

Outras leituras

Seleção dos melhores artigos em revistas/jornais e posts em blogs que li durante o mês

Português:
> O dito e o não dito: A homossexualidade em The Children’s Hour, artigo de Jessica. Publicado na Valkírias em 17 de maio, 2017.
> A fala e a escrita dos animais, artigo de Ricardo Domeneck. Publicado no Contra a Capa em 18 de abril, 2017.

Inglês:
> Counter-realities: The practice of denialism in transphobia, artigo de Zinnia Jones. Publicado no Gender Analysis em 1º de maio, 2017.
> Why the Phrase ‘Late Capitalism’ Is Suddenly Everywhere, artigo de Annie Lowrey. Publicado no The Atlantic em 1º de maio, 2017.
> The Philosopher’s Training Regime. Publicado no Knowledge Ecology em 15 de maio, 2017.
> Why Can’t I Be You, entrevista com Rebecca Solnit feita por Caitlin Donohue. Publicada na Rookie em 9 de abril, 2014.
> Ocean Vuong on being generous in your work, entrevista com Ocean Vuong por Amy Rose Spiegel. Publicada no The Creative Indepedent em 16 de maio, 2016.
> Why the Female Villains on The Handmaid’s Tale Are So Terrifying, artigo de Angelica Jade Bastién. Publicado no Slate em 19 de maio, 2017.
> Once You Have Made Pornography, ensaio de Lorelei Lee. Publicado no The Establishment em 11 de maio, 2017.
> Fiber Optics: Images of textiles address our hunger for texture and depth in the images we view on screens, ensaio de Leslie L. Bowman. Publicado na Real Life em 22 de maio, 2017.
> Why The Dichotomy Between Porn And Erotica Is False And Destructive, artigo de Tina Horn. Publicado no The Establishment em 21 de maio, 2016.

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Leituras de Abril/2017

Já posso dizer que estou cumprindo pelo menos um dos meus objetivos para o ano: ler mais ficção. Talvez pela natureza dos livros, minhas leituras de não-ficção estão andando a passos mais vagarosos, enquanto devoro romances em dois ou três dias e vou preenchendo o tempo entre literaturas com newsletters e artigos em blogs e revistas. Desde que parei de olhar timelines, minha inbox de newsletters não acumula mais como antes. O que eu preciso é fazer um esforço para ler mais contos online. Tenho uma cacetada guardados no Pocket e acabo esquecendo.

Voltei a usar o app do Kindle para PC. Resolvi tentar uma última vez reinstalar o programa e dessa vez o bicho tá funcionando direitinho. Ainda não sei qual foi o problema que bugou da outra vez, mas seja lá o que for, a atualização resolveu.

As imagens que estou usando para ilustrar os posts das leituras mensais são do tumblr People Reading In Movies. Daqueles tumblrs que se já não existissem, eu teria que inventar.

Livros de ficção

> Station Eleven, de Emily St. John Mandel. Romance. 337 páginas. Publicado por Knopf, 2014. [Goodreads] [Amazon]
> The Collapsing Empire, de John Scalzi. Romance. 336 páginas. Publicado por Tor Books, 2017. [Goodreads] [Amazon]
> American Gods (Tenth Anniversary Edition), de Neil Gaiman. Romance. 635 páginas. Publicado por William Morrow, 2011. [Goodreads] [Amazon]
> Lock In, de John Scalzi. Romance. 337 páginas. Publicador por Tor Books, 2014. [Goodreads] [Amazon]
> Binti (Binti #1), de Nnedi Okorafor. Novela. 96 páginas. Publicado por Tor, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> Home (Binti #2), de Nnedi Okorafor. Novela. 176 páginas. Publicado por Tor, 2017. [Goodreads] [Amazon]
> Passing Strange, de Ellen Klages. Novela. 224 páginas. Publicado por Tor, 2017. [Goodreads] [Amazon]
> The Handmaid’s Tale, de Margaret Atwood. Romance. 325 páginas. Publicado por Harcourt, 1998. [Goodreads] [Amazon]

Contos disponíveis online

> Not an Ocean, But the Sea, de Nino Cipri. Publicado na Arsenika, 2015.
> The Ghoul, de Jean Muno. Publicado no Weird Fiction Review, 2014.

Leituras em andamento

A New Kind of Science, de Stephen Wolfram. Livro de não-ficção. Publicado por Wolfram Media, 2002. [Goodreads] [Amazon]
Chaos: Making a New Science, de James Gleick. Livro de não-ficção. Publicado por Open Road Media, 2011. [Goodreads] [Amazon]
> Molecular Red: Theory for the Anthropocene, de Kenneth McKenzie Wark. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> Everything Change: An Anthology of Climate Fiction, org. Manjana Milkoreit, Meredith Martinez e Joey Eschrich. Vários autores. Livro de contos. Publicado por ASU Imagination and Climate Futures Initiative, 2016. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]
The Space of Literature, de Maurice Blanchot. Traduzido para o inglês por Ann Smock. Livro de ensaios. Publicado por University of Nebraska Press, 1989. [Goodreads] [Amazon]
Diante da dor dos outros, de Susan Sontag. Traduzido para o português por Rubens Figueiredo. Publicado por Companhia das Letras, 2003. [Goodreads] [Amazon]
Spirits of Place. Vários autores. Livro de ensaios. Publicado por Daily Grail Publishing, 2016. [Goodreads] [Amazon]
Landmarks, de Robert Macfarlane. Livro de não-ficção. Publicado por Penguin, 2015. [Goodreads] [Amazon]

Outras leituras

Seleção dos melhores artigos em revistas/jornais e posts em blogs que li durante o mês

Português:
> Maria Leopoldina: a arquiteta da independência brasileira, artigo de Thay. Publicado na Valkirias em 19 de abril, 2017.
> A liderança das mulheres indígenas e seus atuais desafios, artigo de Bia Cardoso. Publicado na Blogueiras Feministas em 19 de abril, 2017.

Inglês:
> The Black Woman Getting Ready: A Routine Rarely Portrayed in Mainstream Media, artigo de Neyat Yohannes. Publicado no The Learned Fangirl em 7 de abril, 2017.
> Spooky Action – Who’s haunting your phone?, ensaio de Linda Besner. Publicado na Real Life em 10 de abril, 2017.
> Brazil’s New Problem With Blackness, matéria de Cleuci de Oliveira. Publicado no Foreign Policy em 5 de abril, 2017.
> VanderMeer’s Ecological Mind, texto de Christine Skolnik. Publicado no Environmental Critique em 17 de abril, 2017.
> How (Not) to Talk about AI, artigo de Shreeharsh Kelkar. Publicado no CASTAC Blog em 12 de abril, 2017.
> The Peril of Being Disbelieved: Horror and the Intuition of Women, artigo de Emily Asher-Perrin. Publicado no blog da Tor em 13 de abril, 2017.
> The teens on Tumblr are all right, artigo de Aja Romano. Publicado no The Kernel em 31 de agosto, 2014.

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Leituras de Março/2017

Março foi mais um mês bem levinho em leituras e pesado em ruminações existenciais e tropeços mentais. O que eu mais li em março foi fanfic, o que não é novidade para absolutamente ninguém. Devorei boa parte do arquivo do AO3 na tag Myka Bering/Helena “H. G.” Wells, personagens do seriado Warehouse 13. Tô atrasado na meta de 100 livros para 2017. Vamos ver se recupero nos próximos meses.

Livros de ficção

> Agents of Dreamland, de Caitlín R. Kiernan. Novela. 112 páginas. Publicado por Tor, 2017. [Goodreads] [Amazon]
> Não chore, de Luiz Bras e Teo Adorno. Novela. 152 páginas. Publicado por Patuá, 2016. [Goodreads]

Leituras em andamento

A New Kind of Science, de Stephen Wolfram. Livro de não-ficção. Publicado por Wolfram Media, 2002. [Goodreads] [Amazon]
Chaos: Making a New Science, de James Gleick. Livro de não-ficção. Publicado por Open Road Media, 2011. [Goodreads] [Amazon]
> Molecular Red: Theory for the Anthropocene, de Kenneth McKenzie Wark. Livro de não-ficção. Publicado por Verso, 2015. [Goodreads] [Amazon]
> Everything Change: An Anthology of Climate Fiction, org. Manjana Milkoreit, Meredith Martinez e Joey Eschrich. Vários autores. Livro de contos. Publicado por ASU Imagination and Climate Futures Initiative, 2016. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]
American Gods (Tenth Anniversary Edition), de Neil Gaiman. Romance. Publicado por William Morrow, 2011. Tô lendo 3 capítulos por semana com um grupo, em preparação pra estreia do seriado. [Goodreads] [Amazon]

Contos disponíveis online

> The Need for Overwhelming Sensation, por Bogi Takács. Publicado na Capricious.
> Nevertheless, She Persisted, série de minicontos. Várias autoras. Publicado na Tor em março, 2017.
> The Scholast in the Low Waters Kingdom, por Max Gladstone. Publicado na Tor em março, 2017.

Outras leituras

Seleção dos melhores artigos em revistas/jornais e posts em blogs que li durante o mês

Inglês:
> A Society In Miniature, artigo de David Byrne. Publicado no seu blog pessoal em 9 de fevereiro, 2017.
> Storytelling Through Costume: The Allure of the Red Dress, artigo de Sarah Gailey. Publicado na Tor em 23 de fevereiro, 2017.
> The Jubilee: Fill Your Boots, artigo de Cory Doctorow. Publicado na Locus Mag em 2 de março, 2017.
> Time On The Clock Of The World: How We Handle Trump. Entrevista de Susie Day com Amin Husain. Publicado na Gay City em 2 de março, 2017.
> The Greatest Journalists in Live-Action Superhero Fiction, Ranked, artigo de Emily Asher-Perrin e Molly Templeton. Publicado na Tor em 7 de março, 2017.
> Suspicious Minds: When a political regime is overtly oppressive, paranoia becomes a coping strategy, ensaio de Eric Thurm. Publicado na Real Life em 14 de março, 2017.
> Longing for Tomorrow: Science fiction blockbusters should comprise the future of emotions as well as technologies, ensaio de Mary Wang. Publicado na Real Life em 22 de março, 2017.
Unknowing Lyric, ensaio de Matthew Bevis. Publicado na Poetry Magazine em 1º de março, 2017.

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