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Categoria: Artes Visuais e Ilustração

Sujando as mãos

Eu adoro quando o caos resolve trabalhar a meu favor. No post passado, o último de 2012, eu falei de The Virgin Suicides e falei um pouco do meu romance (em andamento). Postei até um trechinho do bendito. Mas se você leu, você lembra que eu destaquei uma cena em que uma personagem chama os cidadãos de Outubro para sujarem as mãos, e que essa é uma mensagem que eu acho necessária e urgente para o tempo em que vivemos. Pois bem, nesse começo de ano, me deparei com um trabalho do designer Roland Reiner Tiangco que trata justamente disso. O trabalho consiste num pôster que, para se fazer visível e compreensível, te obriga a sujar as mãos. Confira a arte nesse link.

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Metanfetaedro: um pouco sobre o livro, a capa e a amostra

Finalmente saiu o Metanfetaedro, meu primeiro livro solo! Estou numa superposição frenética de estados: feliz, nervosa e ansiosa. Mais ou menos como o urso do Pica-Pau. Certo, agora que deixei vocês com essa imagem mental, falemos da obra. O livro reúne oito contos e oito ilustrações que abrem cada conto. São oito histórias essencialmente New Weird, mas que não se preocupam em se encaixar de maneira impecável nesse subgênero. Não há bordas ou fronteiras aqui. Aliás, essas noções espaciais de (não)limite são parte integrante de alguns dos enredos, tanto no campo do território físico, quanto no do corpo e da mente. É difícil fazer uma sinopse geral do livro, pois os contos são bem diferentes uns dos outros. Você vai encontrar tímidas criaturas cavernícolas de corpo troglóbio e sensibilidade pictórica, gerações indígenas oprimidas por carniceiros e vermícolas e devoradas como carcaça de baleia no leito marinho, desertos vivos de salgareia e cidades que sonham com seus metais, velociraptors inteligentes e magistas, um estudante de desenho anatômico e hipergeometria responsável por uma grande criação, e muito, muito mais. Outro aspecto crucial é que o livro está recheado de mensagens anarquistas. A citação de Bakunin não está ali à toa.

Dois artigos onde eu já falei anteriormente do Metanfetaedro: o post Novos autores para se ficar de olho em 2012, no Páginas Noturnas, e esse Top 5 no blog da Editora Draco, onde converso sobre trocentas referências literárias, artísticas e musicais. Confiram que vale a pena ler e reler.

Algumas das histórias do livro vocês já conhecem. Morgana Memphis Contra a Irmandade Gravibranâmica, publicado originalmente no Volume Vermelho d’A Fantástica Literatura Queer e finalista do Prêmio Argos de Literatura Fantástica 2012, está aqui também. E junto a ele uma nova história da Morgana, intitulada Morgana Memphis Dividindo Por Zero, que trata, entre outros deliciosos terrorismos, de arte-sabotagem. Outro conto já publicado é o Moleque, que saiu na antologia Paradigmas Definitivos. Esse é o conto que abre o livro, e que você pode conferir inteirinho na amostra da obra, que também possui o prefácio escrito pela Cristina Lasaitis.

A capa é de Richard Diegues sobre ilustração de Aaron Rutten:

Capa do livro Metanfetaedro, de Alliah.
Capa cheia de lindas esquisitisses para um livro cheio de apetitosas bizarrices.
Capa aberta do livro Metanfetaedro, de Alliah.
Capa aberta.

Algo que eu gostei muito nessa figura da capa é a ausência de feições. O rosto é uma massa geométrica em retalhos, com camadas assimétricas numa floração congelada. Dialoga muito fortemente com as questões levantadas no conto que dá nome ao livro. Já a diagramação possui um aspecto ruidoso que reflete a essência da coletânea: uma salada de referências e elementos dos mais diversos que se atravessam e se misturam sem pedir licença. Ah, e para quem não pescou a referência do sumário: a imagem é da pintura De Anatomische les van Dr. Nicolaes Tulp, ou A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, 1632, de Rembrandt. As ilustrações internas são de minha autoria e foram feitas a nanquim. Algumas são mais figurativas e outras (como a que abre o conto Uma Cidade Sonhando Seus Metais, que você vê na amostra) são mais conceituais.

O livro está à venda na Loja da Tarja no Facebook e no site da Tarja.

Página do livro no Skoob.

Abaixo, a ilustração que abre o conto Moleque:

Ilustração de Alliah em preto e branco para o conto Moleque, do livro Metanfetaedro.

Metanfetaedrizem-se!

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Em memória de um amigo

Faz um ano que um amigo muito querido se foi de maneira violenta e injusta. Mas não quero entrar na discussão do que houve. Quero apenas preservar uma memória. Arthur, o anarcopunk mais doce que já conheci. E esse período de um ano passou tão rápido, inquieto e conturbado que mal notei. Parece que foi ontem que a gente dividiu uma cerveja no espaço entre as aulas.

Gostaria de ter tido tempo de atender ao seu pedido de escrever um roteiro pra você filmar. Só que o acaso foi um tremendo de um filho da puta. Deixo então um simples desenho pra fixar seu rosto aqui, preto no branco como as roupas que você sempre usava.

Saudades incalculáveis.

As fotos abaixo são de 7 de Junho de 2011, dia do meu aniversário de 20 anos. Uma pequena comemoração após a aula de Psicologia da Educação no campus da Praia Vermelha/UFRJ.

Um brinde, amigo!

E pode deixar, ainda não desisti da revolução.

Já que somos todos ignorantes, enlouqueçamos, pois.

– Cláudio Tovar

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