Participando do Inktober 2016

Esse ano marca minha primeira participação no Inktober, evento criado pelo ilustrador Jake Parker e que reúne artistas do mundo inteiro para fazer um desenho/pintura por dia com tinta durante o mês de Outubro.

Eu tava há tanto tempo sem pegar nos meus materiais de arte que achei um potinho de nanquim que venceu em 2014. (Ilustrar foi mais uma das áreas descarrilhadas por minha saúde mental aloprada nos últimos anos). As canetas da Uni Pin de nanquim, porém, continuavam boas e macias, amém. Tô fazendo tudo com elas (tamanhos 0.1, 0.4 e 0.8, uma restrição técnica que me faz tomar decisões mais rápidas na hora de compor o que quero desenhar). Até agora tenho dez artes, então tô atrasado no calendário. Mas tudo bem. Tô desenhando e pintando todo dia–e esse é o objetivo do Inktober: manter a prática, criar o hábito, desenvolver seus músculos de rabisco.

Fazer uma ilustração completa por dia, mesmo composições simples e pequenas (tô usando papel creme 200g/m² em tamanho A5), requer planejamento, dedicação e disciplina. Não é à toa que voltei à minha rotina de dormir cedo e acordar cedo, que em consequência melhora meu humor e meu estado físico, que me deixa mais disposto a trabalhar e por aí vai, uma cordinha da alegria puxando a outra.

Estou postando minhas artes do Inktober no tumblr Alliah Draws e nessa thread no Twitter. Se você curtir os desenhos, compartilhe, reblogue, retuíte. É uma daquelas pequenas generosidades que qualquer pessoa pode fazer para apoiar um artista que gosta.

E estou disponível para trabalhos de ilustração. Só entrar em contato. 🙂

Desenho e Allliah para o Inktober 2016 - Dia 5.

Desenho do dia 5. Inktober 2016.

Um Manifesto do Leitor

Grant Snider postou um quadrinho novo hoje entitulado A Reader’s Manifesto (Um Manifesto do Leitor), que ele fez para o jornal colombiano El Espectador. A série Incidental Comics de Snider possui uma estrutura e um traço muito particulares (e prontinhos para caber num poster e sharear pelas interwebz), e ele aborda com frequência e com maestria os prazeres bibliófilos, mas o que me fez adicionar o blog na minha pastinha de webcomics do Feedly é a sensibilidade de seu texto.

O quadrinho do Manifesto do Leitor diz:

Eu gosto de livros grandes com palavras longas. Livros pequenos com palavras curtas. Livros ilustrados sem nenhuma palavra. Livros do futuro com novas palavras. Eu leio livros em tardes ensolaradas. Em manhãs chuvosas. Em noites insones. No meio de conversas. Eu uso livros como portais para um mundo novo. Como oportunidades para conhecer pessoas novas. Como escadas para novo conhecimento. Como peso de porta, peso de papel, e espanta-moscas. Eu procurarei livros novos. Lerei os que eu já tenho (algum dia). Emprestarei meus livros para outras pessoas. E sonharei com livros que ainda não foram escritos.

Assino embaixo.

Daqui eu vi o que aconteceu

Acabei de assistir uma aula do curso Live!: A History of Art for Artists, Animators and Gamers em que no tópico sobre personagens, tipos e estereótipos, a professora Jeannene Przyblyski citou o trabalho da artista Carrie Mae Weems e comentou a série de fotos From Here I Saw What Happened and I Cried (1995-1996). Clique no link para ir ao site da artista e ver a série inteira, composta por 33 fotografias.

Assombrada por gigantes

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Eu tenho um sonho recorrente. Uma visão de Saturno. Ou Júpiter. Às vezes os planetas se misturam. Às vezes o anel de gelo e poeira cósmica aparece e às vezes não. De tempos em tempos acontece do sonho estalar num déjù vu quando eu tô desperta. Um frame que passa diante dos olhos e corre aquele choque na espinha. Acho que sou assombrada por Saturno. Ou Júpiter, que tem um grito que pode ser ouvido aqui. Mas ainda não desconsiderei a possibilidade disso ser uma mensagem codificada da minha nave-mãe, perdida lá pela Nuvem de Oort, chamando por socorro ou resgate.

O físico John Cramer criou um áudio mapeando frequências de som às mudanças detectadas ao longo do tempo na radiação cósmica de fundo (CMB). Ouçam a música do Big Bang. Continuar lendo

A escola de arte não vai te ensinar a sobreviver como artista

Calma, não sou contra escolas de arte. Muito pelo contrário. Amei cada segundo que passei na Escola de Belas Artes da UFRJ, embora meu tempo por lá tenha sido quebrado e inconstante. Mas isso não muda o fato de que muitas escolas de arte (e cursos similares, tanto de artes quanto em outras áreas) não vão te preparar adequadamente para sobreviver como artista – e apenas como artista. Como assim, Alliah? Falo em como lidar com orçamentos, pagamentos, gerenciamento de contas, recibos, notas fiscais (oh meu deus, preciso abrir empresa? Quando? Como? Quanto custa?), marketing pessoal, relacionamento com clientes, entender como o mercado da sua área funciona, lidar com quantidades cavalares de machismo/sexismo/intolerância, saber como agir e não ficar de boca calada, quais eventos frequentar, quais redes sociais usar, quanto cobrar (cada hora tem uma tabela de valores diferente rolando pelas interwebz e cada uma vem amarrada numa polêmica diferente), como vender, como escrever contratos, lidar com os impostos (pera, impostos? Como eu calculo isso? Alguém chama o Chapolin!), pagar as contas (tá morando com os pais? Com amigos? Sozinho? Quais são suas responsabilidades financeiras mensais?).

O castelo é de areia e a onda tá vindo com tudo lá no horizonte. Se bobear, vem até um Godzilla atrás. Continuar lendo

Autorretrato

Ou auto-retrato. Um texto bem pessoal e uma pintura da minha cara lá no site do Projeto Auto-Retrato. É, essa daí mesmo que cês tão vendo. Sim, é isso que eu enxergo quando me olho no espelho. Mas só entre 5:15 e 6:32 das manhãs de um sábado. E apenas quando está chovendo fininho. Depois muda. E muda. E muda. E muda.

Um trechinho do texto:

Eu matava aula da escola pra jogar fliperama e ficar com os meninos. Eu matava aula da faculdade pra beber cerveja e ficar com as meninas. Preciso sair de casa antes que a casa caia na minha cabeça. Nunca andei de avião. Tenho sonhos vívidos e pequenas alucinações. Às vezes não sei diferenciar qual é qual.

Leia o texto inteiro.

Já falei que gosto de galhadas?

Autoretrato de Alliah em ilustração digital.