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Mês: junho 2018

Capa da FRACTAIS TROPICAIS, as mudanças no Metanfetaedro e uma babadinha em Legion

Lembram que eu falei que meu conto Metanfetaedro seria publicado numa coleção de ficção científica brasileira? Recentemente mandaram a arte de capa e tá liberado divulgar, então olha aí essa beleza holográfica e mira o nome dos autores:

Arte de capa da antologia Fractais Tropicais. Clique na imagem para ver em tamanho maior.

A antologia FRACTAIS TROPICAIS – O MELHOR DA FICÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA foi organizada por Nelson de Oliveira e será publicada pelo SESI-SP.

Leia o texto da orelha, por Ramiro Giroldo, e depois eu conto um pouquinho sobre as mudanças que fiz no Metanfetaedro.

Esta antologia serve como uma nova prova de que a literatura brasileira é rica e diversa, dona de facetas insuspeitas. Sim, há ficção científica brasileira, e ela é fértil e digna de toda a atenção. Pode ser agrupada em “ondas”, eixos historicamente delimitados de produção e recepção. Trata-se de uma opção de valia para um primeira contato, observando-se que as ondas se interpenetram – caso da produção de André Carneiro, por exemplo, que atravessa boa parte da história da ficção científica brasileira.

Para além dos clássicos justamente sacralizados, há uma infinidade de seres estranhos que habitam o difuso limiar entre o conhecido e o desconhecido. Visíveis apenas aos olhares mais atentos, ignorados (às vezes intencionalmente) pela nossa crítica literária, há décadas e décadas caminham entre os brasileiros esses seres que firmam um pé no presente e outro no futuro. Ou um pé no Brasil e outro nas galáxias além. Ou um no mundo palpável e outro nos confins do ciberespaço. Ou… São incontáveis as possibilidades que esses seres podem nos apresentar, pois a ficção científica tende a esgarçar as fronteiras do que conhecemos. Mesmo quando as narrativas são ambientadas nos nossos arredores, algo de diferente se intromete no cotidiano, renovando nosso olhor e ampliando nossa imaginação para possibilidades outras. Esses seres tão estranhos têm muito a mostrar; basta dar a eles a oportunidade de falar – oportunidade que tradicionalmente tem sido negada pelo nosso conservador ambiente literário.

Alguns dos mais significativos desses seres mostram seus contos nas páginas de Fractais Tropicais. Se não os conhece, eis aqui um panorama dos autores de ficção científica brasileiros.

— Ramiro Giroldo. Professor de Literatura Brasileira da UFMS. Autor do livro Ditadura do Prazer – sobre ficção científica e utopia.

Reconfigurando as geometrias do Metanfetaedro

Atenção para pequenos spoilers se você não quiser saber o que tem de diferente nessa versão do conto.

Leia o resto do post e veja mais fotos no Mural do Apoia.se, a partir de apenas R$ 2 por mês, e fique sabendo das mudanças que fiz no Metanfetaedro e também por que eu acho que ele se encaixaria num episódio de Legion.

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Flash fiction selecionada para a Mafagafo e meio pitaco sobre narrativas epistolares

A flash fiction Sua Encomenda da Esporoloucos foi Enviada que eu publiquei no Mural do Apoia.se há alguns meses foi escolhida para integrar a segunda edição da Revista Mafagafo. Veja a lista completa dos trabalhos selecionados, entre contos e flash fictions no site da revista.

Fiquei tão feliz quando meus apoiadores adoraram a história e agora ela será lida por mais gente! Aaaaahhhh! \o/

Eu adoro narrativas epistolares (histórias contadas através de cartas, diários e outras correspondências) e o equivalente contemporâneo (através de emails, mensagens de texto, comentários em blogs, posts de fóruns etc). Essa técnica é terreno fértil para explorar a vida oculta dos personagens. As cartas que um personagem troca com um interesse romântico clandestino contarão uma história diferente daquela observada pelos pessoas que convivem com ele. As possibilidades são tantas de criar uma teia de narrativas com diferentes níveis de percepção. Mas, trazendo a coisa para o presente, um dos pontos mais instigantes das narrativas contadas através de fragmentos de conteúdo postado na web é que cada perfil em cada site possui uma personalidade diferente, mesmo que sejam perfis da mesma pessoa. E isso basta para manobrar a intenção da narrativa inteira.

Leia o resto do post no Mural do Apoia.se, a partir de apenas R$ 2 por mês.

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Corpos para remixar, corpos de ecologia escura e máquinas inquietas

No dia 14 de junho eu participei da mesa Um corpo para remixar: frankensteins, fadas e ciborgues com Diana Passy e Kim Doria e mediação de Deborah Happ, que integrou o evento O FUTURO É O CORPO, A TECNOLOGIA É O PRESENTE, no SESC Avenida Paulista.

Meu melhor ângulo de foto é sempre aquele que minha cara não aparece, risos.

Veja mais fotos na página do evento no Facebook.

O evento também teve outras duas mesas com as discussões Como se constrói um mundo? e Como ler e escrever ficção científica e fantasia no Brasil? e as oficinas de criação Ciborgues e escrita criativa com Geruza Zelnys e Zine é coisa do futuro com Aline Valek. O áudio das mesas foi gravado e será editado e publicado pelos lindos do podcast Curta Ficção.

Eis as questões que a Deborah Happ mandou pra gente com antecedência:

1. Na ficção científica, é comum vermos “melhorias” nos corpos, tanto tecnológicas (como em Mad Max, Neuromancer, Matrix, etc) quanto orgânicas (Frankenstein, Aniquilação, etc). Como vocês vêem a relação do corpo orgânico com o tecnológico na literatura?
2. A ficção científica é um terreno fértil para romper paradigmas e estereótipos. Como isso ocorre no corpo, tanto físico quanto social?
3. Como vocês enxergam o corpo na ficção científica hoje? Quais os desejos para os corpos do futuro?

Eu tinha anotado uma série de tópicos para abordar e acho que não falei nem metade (obrigado, memória; ou talvez nem desse tempo). Mas fiz questão de não esquecer de falar de Frankenstein não só pelo aniversário de 200 anos da publicação, mas porque o texto era super relevante para o papo: a violência e a rejeição ao corpo visto como grotesco independente do comportamento dócil; a marginalização resultante disso; a responsabilidade científica e social de quem cria (seres, algoritmos, sistemas de vigilância). Ficaram de fora alguns conceitos que eu queria ter discutido tipo a questão de quais corpos/mentes possuem um telos e, se IAs possuem telos programados por nós, o que isso significaria se elas adquirissem consciência (ou uma outra maneira é observar quais corpos/mentes ganham status de pessoa ((e sob quais circunstâncias)) e quais podem relatar suas próprias experiências e serem ouvidas); e a sympoiesis de acordo com Donna Haraway. Eu mencionei a questão da nossa consciência não se localizar/manifestar apenas no cérebro e sim no corpo inteiro com participação importante de comunidades como a flora intestinal, então pelo menos um pouquinho de sympoiesis eu falei–esse tornar-se numa bagunça multiespécies. Daí a impossibilidade de capturar uma mente (ou a representação dessa mente) e transformá-la numa cópia digital não-localizável. Queria ter falado um pouco de Ghost In The Shell e as abordagens filosóficas às dualidades de mente e corpo, a crítica à desfragmentação do eu na rede e os limites difusos entre corpos orgânicos e corpos ciborgues. Estou revendo o seriado de GITS (Stand Alone Complex) e cada episódio daria uma mesa de discussão inteira. Talvez eu começasse pelo episódio 15, que faz referências explícitas à obra O Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia, de Gilles Deleuze e Felix Guattari, desde o título “Machines dèsirantes” até uma das tachikomas que não só está lendo o livro, mas menciona conceitos como “corpo sem órgãos” para as outras máquinas. Queria também ter entrado mais na interpretação de Root (de Person of Interest) como personagem agênero e sua relação transhumanista com a Máquina, mas eu nem terminei meu raciocínio direito quando falei do seriado porque eu sou uma derrota para falar sem me perder. Então ficam aí meus pensamentos desconexos no éter do que poderia ter sido.

Leia o resto do post no Mural do Apoia.se, a partir de apenas R$ 2 por mês.

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