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Mês: junho 2015

Fazendo um jogo no Twine em 10 dias

Se você me lê no blog Amanhã Não Vai Existir, cê sabe que eu tenho interesse em ficção interativa, texto digital, jogos baseados em texto, e todas as intersecções desses formatos e suas ferramentas. Tenho uma pasta chamada Twine no meu Evernote onde eu anoto ideias soltas para jogos curtos, ficções que só poderiam funcionar como texto digital, como narrativa interativa, tipografia viva, animada, carregada de energia potencial. Mas eu fico nessa de rabiscar ideias e a coisa nunca descola do talvez-algum-dia-quem-sabe. Então quando o Gumroad anunciou que faria um desafio de brainstormar, criar, e lançar um produto em 10 dias, eu pulei no barco de espada em punho gritando AYE AYE CAPTAIN.

Para quem não conhece, o Gumroad é um site que te dá espaço e ferramentas para vender seus produtos (físicos e digitais) através dele (que fica com uma pequena porcentagem das vendas). A vantagem é que o sistema deles nos oferece uma série de recursos sem cobrar a mais por isso: podemos editar landing pages, perfis, configurar emails automáticos para seguidores e/ou clientes (uma parada que é muito eficiente para converter e que pra usar em serviços como o Mailchimp, por exemplo, temos que pagar).

O nome do desafio é Small Product Lab.

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O Tempo de Validade do Texto & o Ponto de Silêncio

Desde 28 de Dezembro de 2014 que eu quero escrever sobre Leelah Alcorn. E dia após dia eu não consigo digitar nem uma letra sequer sobre o assunto. São 161 dias de tentativas fracassadas. São 161 dias de querer contribuir para a conversação em torno da dor de jovens trans com palavras de valor que realizariam parte do que Leelah desejou em sua última nota. São 161 dias de não conseguir apagar da cabeça a brutalidade do ato, a violência do choque de um caminhão contra o corpo de uma adolescente.

Esse texto não é um texto sobre Leelah Alcorn. Também não é um texto sobre querer escrever um texto sobre Leelah Alcorn. Esse texto é sobre o tempo de validade que carimbamos em determinados assuntos e sobre nossa necessidade ignorada de deixar essa data artificial se desintegrar sozinha. Porque às vezes precisamos tomar conta de nós mesmos em nossos momentos de silêncio antes de sair às ruas digitais do ativismo com argumentos erguidos. Porque existe um abuso pernicioso que nem todo mundo percebe que sofre, nem todo mundo percebe que comete;

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Aloprando os Algoritmos do Facebook

Lembro de ter criado meu primeiro perfil no Facebook na época do colégio, no meio da adolescência, quando o Orkut ainda tava a todo vapor e o Facebook era um matagal abandonado entupido de badges de resultados de testes desgraçaralhos desses que hoje em dia a gente faz no Buzzfeed. Fiquei com aquele perfil por anos e anos, cultivando o bicho com novas amizades, achando amizades antigas, stalkeando alguém aqui, esfregando algo na cara de alguém ali. Era divertido no começo. Depois o espaço ficou tão tóxico, tão abarrotado de discursos de ódio e elementos supérfluos. Mas aí eu já tinha feito uma página para divulgar meus trabalhos e não queria abandonar aquele meio. Até que mudaram as políticas do site e agora a gente precisava pagar pelo espaço e pela visibilidade, senão os algoritmos engoliriam seus posts para dentro do cu do Zuckerberg. A efetividade tava zero, a eficiência tava zero, a paciência tava zero. Deletei tudo. Deletei post por post antes de deletar o perfil em si, porque senão seu histórico não é devidamente apagado.

A vida pós-Facebook é uma boa vida. Meu estresse caiu pela metade. E meu cérebro não tava mais sendo ocupado com detalhes da vida dos outros que nunca interessou mesmo a ninguém a não ser à própria pessoa.

Pensei: ‘não volto nunca mais’.

Err, só que eu voltei.

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As Ferramentas do Trabalho

Eu adoro papear sobre as ferramentas, dispositivos, e gadgets que usamos para executar nosso trabalho—principalmente se o trabalho envolve escrever quantidades obscenas de texto e produzir algum tipo de arte visual que passa pelo digital. Mas eu sou um tecnófilo pobre, então muito eu só conheço de ler/ouvir falar e não de botar as mãos na coisa e experimentar em primeiro plano.

Daí é sempre interessante dar uma espiada no que os artistas que curto estão usando. Mês passado o Warren Ellis apareceu lá no LifeHacker falando das ferramentas que utiliza e dos seus hábitos de trabalho. Computadores, por exemplo, ele usa um Lenovo T440 com touchscreen, um Dell XPS 13 edição de 2015, e um Chromebook Pixel (que eu acho que surpreendeu muita gente). Entra nesse conjunto também um monitor ASUS de 21 polegadas. Um gadget que me chamou a atenção foi o TextBlade (que no momento em que a entrevista foi publicada, ele já tinha comprado o produto e tava esperando chegar). O TextBlade é um teclado portátil, desmontável/reconfigurável, levinho, fininho, wireless, de aço e policarbonato, ímãs de neodímio, com base de silicone. Eu quase babei descobrindo a existência disso.

Eu tô na mesma velha mesa de madeira que eu comprei vinte anos atrás. Não mando uma foto porque ela tá uma bagunça do caralho que me faz parecer um hoarder porque tem um monte de lixo que eu desovei uns meses atrás aqui e ainda não tive tempo de processar.

Compartilho essa dor, Warren.

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