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Mês: Abril 2014

Daqui eu vi o que aconteceu

Acabei de assistir uma aula do curso Live!: A History of Art for Artists, Animators and Gamers em que no tópico sobre personagens, tipos e estereótipos, a professora Jeannene Przyblyski citou o trabalho da artista Carrie Mae Weems e comentou a série de fotos From Here I Saw What Happened and I Cried (1995-1996). Clique no link para ir ao site da artista e ver a série inteira, composta por 33 fotografias.

Assombrada por gigantes

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Eu tenho um sonho recorrente. Uma visão de Saturno. Ou Júpiter. Às vezes os planetas se misturam. Às vezes o anel de gelo e poeira cósmica aparece e às vezes não. De tempos em tempos acontece do sonho estalar num déjù vu quando eu tô desperta. Um frame que passa diante dos olhos e corre aquele choque na espinha. Acho que sou assombrada por Saturno. Ou Júpiter, que tem um grito que pode ser ouvido aqui. Mas ainda não desconsiderei a possibilidade disso ser uma mensagem codificada da minha nave-mãe, perdida lá pela Nuvem de Oort, chamando por socorro ou resgate.

O físico John Cramer criou um áudio mapeando frequências de som às mudanças detectadas ao longo do tempo na radiação cósmica de fundo (CMB). Ouçam a música do Big Bang.

A escola de arte não vai te ensinar a sobreviver como artista

Calma, não sou contra escolas de arte. Muito pelo contrário. Amei cada segundo que passei na Escola de Belas Artes da UFRJ, embora meu tempo por lá tenha sido quebrado e inconstante. Mas isso não muda o fato de que muitas escolas de arte (e cursos similares, tanto de artes quanto em outras áreas) não vão te preparar adequadamente para sobreviver como artista – e apenas como artista. Como assim, Alliah? Falo em como lidar com orçamentos, pagamentos, gerenciamento de contas, recibos, notas fiscais (oh meu deus, preciso abrir empresa? Quando? Como? Quanto custa?), marketing pessoal, relacionamento com clientes, entender como o mercado da sua área funciona, lidar com quantidades cavalares de machismo/sexismo/intolerância, saber como agir e não ficar de boca calada, quais eventos frequentar, quais redes sociais usar, quanto cobrar (cada hora tem uma tabela de valores diferente rolando pelas interwebz e cada uma vem amarrada numa polêmica diferente), como vender, como escrever contratos, lidar com os impostos (pera, impostos? Como eu calculo isso? Alguém chama o Chapolin!), pagar as contas (tá morando com os pais? Com amigos? Sozinho? Quais são suas responsabilidades financeiras mensais?).

O castelo é de areia e a onda tá vindo com tudo lá no horizonte. Se bobear, vem até um Godzilla atrás.

Autorretrato

Ou auto-retrato. Um texto bem pessoal e uma pintura da minha cara lá no site do Projeto Auto-Retrato. É, essa daí mesmo que cês tão vendo. Sim, é isso que eu enxergo quando me olho no espelho. Mas só entre 5:15 e 6:32 das manhãs de um sábado. E apenas quando está chovendo fininho. Depois muda. E muda. E muda. E muda.

Um trechinho do texto:

Eu matava aula da escola pra jogar fliperama e ficar com os meninos. Eu matava aula da faculdade pra beber cerveja e ficar com as meninas. Preciso sair de casa antes que a casa caia na minha cabeça. Nunca andei de avião. Tenho sonhos vívidos e pequenas alucinações. Às vezes não sei diferenciar qual é qual.

Leia o texto inteiro.

Já falei que gosto de galhadas?

Autoretrato de Alliah em ilustração digital.

Hackeando o sistema de Jurassic Park

Quando eu era pirralha e ainda não tínhamos internet no pc de casa, eu passava um bom tempo criando uns troços bem primitivos na máquina. Um desses passatempos foi emular o sistema de controle de Jurassic Park num arquivo de Power Point. Na época eu já tinha lido e relido o livro de Michael Crichton incontáveis vezes e foi o sistema do livro que me serviu de guia. Era tudo bem simples. Uma tela azul com botões vazados de bordas e letras brancas. Navegar pelo “sistema” era praticamente um joguinho de point and click. Dava pra acessar as fichas dos animais da ilha, com informações da catalogação de cada espécime e suas características biológicas; dava pra ver o controle das cercas elétricas e outros sistemas de manutenção do parque (tudo baseado em informações que tirei diretamente do livro); e dava pra acessar as câmeras de segurança. Os vídeos que eu incluí como imagens da câmera eram vídeos rodando em looping que eu tinha num CD sobre dinossauros na cultura pop, um item que veio numa revista que não lembro o nome. Animações rústicas e cenas de filmes antigos. A granulação natural dos vídeos era perfeita para o ambiente do meu humilde emulador visual. Passei um bom tempo brincando de controlar meu Parque dos Dinossauros particular.

Distinta Juventude e meia dúzia de palavras sobre a Geração Y

Fui autora convidada no Quotidianos esse sábado, dia 5. O coletivo de escritores e artistas visuais que eu fiz parte ano passado continua firme e forte agora em 2014 e voltou aos trabalhos recentemente. Meu conto da vez por lá foi uma história de um parágrafo só chamada Distinta Juventude. Mas não se preocupem, tem um TL;DR no final. Saca um trechinho:

Aveline. 20 anos, 4 meses, 13 dias e um borrão de horas esticadas lendo um tópico de creepypasta no Reddit. Sem diploma escolar. Independente à força desde os 16, quando foi empurrada pra fora de casa e tomou uma surra nas ruas estreitas do centro da cidade. Três costelas quebradas e um saco de roupas e livros pendurado no ombro. Uma cabeça afiada demais para um mundo em pedaços. Millennials sim e obrigada, mas não queremos carros, apenas um transporte público sem estupros, por favor. Geração Y. Cromossomos XY. Gênero XX. Linguagem XXX. Ctrl+Shift+N para o Xvideos porque o pc é compartilhado com o colega de quarto que divide as contas.

Clique aqui para ir ao Quotidianos e ler tudo. O conto é ilustrado por Jade Simões.

Meti alguns links ao longo do texto. É para aqueles que gostam de descer para a segunda camada da história e conhecer algumas das referências mais explícitas. Os degraus levam para mais cômodos subterrâneos, se você curte explorar por conta própria e cair de link em link. Recomendo que faça isso. Mas se você é dos que sabem tirar proveito desse tipo de coisa, recomendar é desnecessário. Já tem um porrão de abas abertas aí e você tá esfomeado por mais, que eu sei. Vem cá e me dá um abraço. Bem-vindo ao clube.