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Mês: outubro 2013

Sorteio de um exemplar da antologia Retrofuturismo

Resolvi sortear um exemplar da antologia Retrofuturismo, um livrão da Tarja Editorial com 10 contos dentro dos gêneros: stonepunk, bronzepunk, middlepunk, clockpunk, steampunk, dieselpunk, nazipunk, atomicpunk, transistorpunk e cyberpunk. É punk que não acaba mais. Meu conto é logo o primeiro, representando o stonepunk. O título é Imaginística e eu falei um pouco dele nesse outro post, onde você também pode ler um trecho da história e acessar uma amostra gratuita do livro com dois contos inteirinhos.

Para participar do sorteio, cumpra as seguintes etapas:

1. Curta minha fanpage no Facebook.
2. Siga meu perfil no Twitter.
3. Tuíte a seguinte frase: 

Quero ganhar um exemplar do livro Retrofuturismo, da Tarja Editorial, que a @AlliahArt está sorteando! http://kingo.to/1jf0

É necessário que você tuíte o link correto ao final da frase, pois é através dele que sua participação será contabilizada no sorteio.

O resultado sai no dia 31/10. Boa sorte!

Se você não tiver Facebook, não tem problema, apenas siga meu perfil no Twitter e tuíte a frase do sorteio.

Obs.: Leitores que residem fora do Brasil podem participar desde que concordem em arcar com os custos de frete caso sejam sorteados. Para participantes que morem no Brasil, o frete é por minha conta.

O tempo tá todo errado

Quando uma boa história me engole, eu saio do tempo. Aquele mesmo papo batido e varrido de mergulhar de cabeça num universo ficcional e esquecer da vida lá fora. Mas é diferente. Alucinação. Iluminação. Não é como se eu me desgarrasse do corpo, da matéria bruta, da carne presa aqui nessa cadeira velha. É a criação de um híbrido. Rebento. O processo é orgânico. As veias e músculos da história se inserem nos forames dos meus ossos. E quando eu volto, não é o tempo que esfregou uma pimenta no rabo e saiu voando além da barreira da luz. É a percepção de que o próprio tempo está errado. Fora do lugar. Como o lingote machucado de uma peça de quebra-cabeça forçada numa posição que não é a sua. Dá vontade de sair por aí gritando: “Vocês estão loucos! Tá tudo errado! Esse tempo, esse ritmo! Parem! Parem! PAREM! Isso aqui não é nada! NADA!”

O problema é que no dia em que vocês realmente pararem e prestarem atenção aos meus apelos, eu não tenho ideia do que direi em seguida.

Vai ver mando todo mundo voltar pra cama e dormir.

Do nu

Sente-se claramente que, quando Ticiano dispõe uma Vênus da mais pura carne, molemente congregada sobre a púrpura na plenitude de sua perfeição de deusa e coisa pintada, pintar foi acariciar, juntar duas volúpias num ato sublime, onde o domínio de si mesmo e de sua técnica, o domínio da Bela Mulher com todos os sentidos, se fundem.

O carvão de Ingres persegue a graça até a monstruosidade: nunca as costas são macias e longas o bastante, nem o colo flexível o bastante, e as coxas lisas o bastante, e todas as curvas do corpo condutoras o bastante do olhar que as envolve e toca mais do que as vê. A Odalisca está mais próxima do plesiossauro, faz sonhar com o que uma seleção bem dirigida teria feito com uma raça de mulheres especializadas há séculos no prazer, como o cavalo inglês o é na corrida.

Rembrandt sabe que a carne é lama que a luz transforma em ouro. Suporta e aceita o que vê: as mulheres são o que são. Encontra apenas obesas ou descarnadas. Até mesmo as poucas mulheres belas que pintou o são devido a não sei que emanação de vida mais do que à forma. Não teme as barrigas caídas, os membros grossos, as mãos vermelhas e pesadas, os rostos muito vulgares. Mas aqueles traseiros, aquelas panças, aquelas tetas, aquelas massas carnudas, feiosas e serviçais que ele traz da cozinha para o leito dos deuses e dos reis ele os impregna ou os toca com um sol que é só dele, mescla como ninguém o real, o mistério, o bestial e o divino, a técnica mais sutil e a mais poderosa, e o sentimento mais profundo, o mais solitário que a pintura jamais expressou.

— Paul Valéry em Degas dança desenho (Degas danse dessin, no original). Tradução de Christina Murachco e Célia Euvaldo publicada em 2003 pela Cosac Naify. O original saiu pela Editions Gallimard em 1938.

Eu gosto é dos carecas

Ano passado eu fiz um Top 5 de referências da cultura pop que se enraízam na minha ficção e na minha arte. O post, publicado no blog da Editora Draco, levantou um padrão que eu mesma não tinha notado antes: meu gosto pelos carecas. A sequência de carecas estilosos no meu Top 5 é a seguinte: King Mob (e, consequentemente, Grant Morrison), Spider Jerusalem e China Miéville. Depois, pensanso melhor, vi que dava pra incluir mais gente aí: Dr. Manhattan, por exemplo, sempre presente aqui no blog através do hidrogênio azul ali no meu crânio de veado. E Hellboy, meu demônio favorito.

Mas qual é o segredo dos carecas? A que sociedade secreta eles se filiam? Quais são seus planos de dominação universal? Quais frequências de ondas eletromagnéticas suas carecas brilhantes capturam e transduzem em manipulação psíquica hiperdimensional?

Okay, acho que falei demais. Daqui a pouco algum careca de preto vai entrar pela janela e sumir com meu corpo.

Bem, que venha o King Mob. E que me leve para os cuidados da Ragged Robin. Pegael, Ragged Robin.

Mas enquanto isso, olhem só essa série de carecas famosas que o ilustrador Fernando Perottoni fez.

Ilustração da careca do Dr. Manhattan, de Watchmen.