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Mês: Abril 2013

O que os leitores falam sobre o Metanfetaedro – Parte III

No post de hoje, o espaço é do Vilto Reis e do Pablo. Primeiro o Vilto, que fez uma resenha deliciosa do livro, publicada no Homoliteratus e no Histeria. Dá só uma olhada num trechinho:

Fico olhando para uma capa – verde, contorcionismo para ler o título, desenho de uma, possivelmente, mulher – e lembro da sensação deliciosa que tive ao pegar o Metanfetaedro (nota 1: adicionar palavra ao dicionário do Word) na mão. Sério, não é possível que alguém que tenha ouvido o PodFiction#Extra – “Quem atirou na minha cabeça?”, ou acompanhe o blog alliahverso, como eu, não tenha curiosidade de ler um livro inteiro da Alliah (nota 2: evitar conversa de ela ser jovem, brasileira et cétera, como se esta fosse uma justificativa para fracassar e ela uma raridade por não ter fracassado).

Aí eu pego o tal livro na mão e penso: tá legal, vamos ver o que é esta p… de New Weird – sim, esta foi a minha primeira experiência com o gênero, que, diga-se de antepassagem, é alguma coisa entre uma mistura de Kafka e Salvador Dalí, mas com uma pitada de David Foster Wallace, se ele escrevesse fantasia, ou terror, ou ficção científica (nota 3: fugir de comparações aleatórias desnecessárias) –; e, adivinhem, surpreendi-me.

Leia o resto no Homoliteratus ou no Histeria (site desativado).

E o próximo leitor é o Pablo, que lá no espaço de resenhas da página do Metanfetaedro no Skoob, deixou um comentário curiosíssimo e bem bacana. Sente só:

Se um dia eu vier a conhecer Alliah pessoalmente um pouco da magia desaparecerá desse mundo. Digo isso porque criei uma imagem dela muito particular ao ler esse livro curioso e instigante. Tão particular que nem a vejo como uma pessoa real! O_O

Na minha cabeça, Alliah é uma daquelas personagens de sexualidade bruta desenhada pelo Simon Bisley e com a boca suja proporcionada por um Frank Miller. Ela andaria por aí com os cabelos despenteados, uma garrafa a tiracolo (para consumo próprio ou no caso de precisar de um coquetel molotov de improviso) e um símbolo da Anarquia estampado no peito. Atraente e perigosa.

Leia o resto aqui.

Mais pra frente o cara comenta que eu devo ser early reader d’Os Invisíveis! Há! Admito que sou heavy user dessa HQ. E, sim, foi através dela que eu dei uma lambida no pescoço do universo.

Até agora parece que os leitores do Metanfetaedro estão sendo devidamente sacudidos e desossados para fora de suas geometrias. Gosto disso. Amo foder com a cabeça de vocês. Aliás, da próxima vez que alguém me perguntar o motivo que me levou a ser escritora, responderei exatamente isso: pelo prazer de foder cabeças.

Sobre manhãs, névoas e luminosidades

Foto de névoa matinal sobre cenário verde.

Isso é algo estranho de se dizer, mas… Eu gosto de acordar bem cedo. Não o ato de acordar em si. Mas estar de pé bem cedo. Pode ser através de uma noite virada também. Sou apaixonada pelo comecinho da manhã. Não sei se é o silêncio e a aparente imobilidade do mundo à minha volta – um forte contraponto sensorial ao estardalhaço que costuma ser o ambiente a la cortiço daqui de casa. Não sei se é genético. Pode ser também a percepção de que estou fora do tempo, fora do relógio, fora da rotina, dos afazeres, das obrigações, das preocupações. É um espaço temporal bastante curto, um limiar finíssimo que consegue ser, ao mesmo tempo, completude tão vasta quanto um oceano e vazio tão miúdo quanto um grão de poeira. Lembro de um poema de Pedro Rocha, lido num entre-músicas num show das Chicas, sobre essas completudes vazias atemporais. E sobre a felicidade maior que se aninha naquele último e longo suspiro pré-sono ao final de um dia feliz. Para mim, é no pós-noite. Ou no pré-manhã alta. É ali no amanhecer, quando o horizonte ainda escuro queima iluminado como a borda de um pedaço de papel em chamas.

Papa Guedhe

Ando de mãos dadas com a morte. Quando ela descruza os dedos e vai mover mais uma peça do tabuleiro de xadrez, a geometria do ar dá uma entortada. Bate aquela urgência do não-feito, do não-dito, do não-resolvido. A malha do espaço-tempo se enruga e se aninha e se comprime, densa, num ponto pequenino, do tamanho exato de um suspiro. Ali poderia arrebentar. Mas só se acalma. E se permite perceber – inicialmente angustiado e finalmente aliviado – o sabor do vazio. O vazio que não tem meio termo ou terceira margem. O vazio que é glossolalia, a linguagem das utopias de cada um.

The Invisibles, Vol. I, edição nº 10.
The Invisibles, Vol. I, edição nº 10.