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Mês: março 2013

O cabra da peste, Gal e Zizek

Hoje é sábado e sábado é dia de escritor convidado lá no Quotidianos. O texto de hoje veio do Richard Diegues, editor da Tarja, onde já publiquei uma pá de coisa, incluindo o Metanfetaedro. O cabra da peste é um pequeno conto sobre uma criatura fantástica bem conhecida dos leitores de fantasia e terror que resolve se estabelecer num cenário diferente: uma favela. Passa lá no site para dar uma conferida na história, que tem uma ilustração minha feita a café e nanquim. (Aliás, sabe aquele problema comum a ilustradores/pintores sobre confundir o copo da bebida com o copo dos pincéis e acabar bebendo tinta e mergulhando o pincel no suco? Bem, pintar com café tem dessas vantagens de usar o mesmo copo).

Mas falando em cabra da peste, quero compartilhar com vocês o vídeo abaixo, de uma poderosa performance de Gal Costa cantando Revolta Olodum, música de Jose Olissam e Domingos Sergio, sobre os movimentos revolucionários, batalhas e levantes do Nordeste:

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Ebook da antologia VII Demônios – Luxúria, publicado pela Editora Estronho

A versão em ebook da antologia VII Demônios – Luxúria/Asmodeus já está disponível. Por enquanto, só na Amazon. Em breve sai a versão em .epub também. Você pode comprar o livro inteiro ou os contos avulsos. Meu conto Morgana Memphis Depois das Gungirls está disponível por apenas R$ 1,99!

Outras histórias da Morgana você encontra no Volume Vermelho d’A Fantástica Literatura Queer e no Metanfetaedro.

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Sobre lobisomens, hospitais públicos, chifres e coelhos

1. Essa segunda que passou, dia 18, a pequena história publicada no Quotidianos foi um continho meu intitulado Rampa. Um relato angustiado de um lobisomem polar com uma infecção na pata que foi parar num hospital público precário. Se você ainda não leu, passa lá e dá uma conferida. A arte do Rogério Geo está sensacional, um belíssimo contraste de tons amarronzados da figura num fundo cheio de claridade e brilho. Um detalhe que não está na história é que ela é real. Bem, não com lobisomens. Mas os personagens e as cenas ali aconteceram for real aqui fora no nosso mundinho pacato e trivial. Até onde eu fantasiei? Bem, deixo com vocês a tarefa de desenhar essa tênue fronteira.

2. Na mesma segunda, um vídeo novo do canal The Brain Scoop quase me fez sair aos pulos pela casa. Explico. Alguns dias antes, a apresentadora/roteirista do programa, Emily Graslie, havia perguntado no Facebook o que nós gostaríamos de assistir, que tipo de assunto dentro da temática do programa nos interessava, o que estava faltando e tudo mais. Eu dei a sugestão de um programa falando de animais com chifres e galhadas.

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O que os leitores falam sobre o Metanfetaedro – Parte II

O post de hoje é de mais dois leitores. A primeira é a Tânia Souza (que também é escritora e integrante do Quotidianos). Em seu blog, Tânia contou suas primeiras impressões sobre o livro num post que me deixou muito feliz. Olhem só:

“Chegou por aqui um livro que estava bem curiosa para ler, o Met… [ ahn, um instante para conferir e escrever corretamente ], pronto, o Metanfetaedro.

E por que estava curiosa? Eu gosto dos contos da Alliah, eles são super diferentes e ao mesmo tempo, carregam o que há de legal na literatura fantástica: não são comuns, banais ou realistas; mas dentro do estranhamento imenso que personificam, trazem pontos que poderiam ser reconhecidos em um passante qualquer desse universo conturbado que perambulamos .

Ah, confesso, não conheço a literatura new weird, (link para um texto muito bom no Mundo Fantasmo) portanto, é na base do experimentar para ver o que há mesmo. Então, desde que vi a divulgação, quis ler.

Cheguei a conclusão que o que há é diversão.
E que não dá pra se divertir e sair como se chegou.

E os personagens não são passageiros, ou seja, você pode “esquecer” deles, mas não totalmente, sempre deixam resquícios no leitor. É como a sereia do que o leitor encontra no primeiro conto do livro … sintetiza o mundo ao seu redor, real ou imaginado, mas reinventando-o em sua própria pele. O que quero dizer sobre os personagens como Iara, Mogul e Marmelo é que eles ficam, mesmo que você não os conheça tão bem, a autora consegue transmitir ao leitor o que possuem de melhor, ou pior, em essência.

E dá uma certa exasperação, do tipo, como assim acabou? Mas eu queria saber mais dessa persona/máquina/coisa/cidade/esquisitice/sinfonia.

Então, você pode encontrar poesia, tristeza, melancolia, raiva, risos e muito, muito espanto. E eu gostei disso.
**

* As ilustrações são lindas.
* Na dedicatória, a autora sugeriu um ” aprecie sem moderação”, mas no meu caso já sei que será preciso ler Metanfetaedro em doses homeopáticas. Para aproveitar todas elas.”

O segundo leitor é o Guilherme Mendes, que muito gentilmente veio falar comigo através do Facebook para dizer que adorou o livro e que o divulgou em seu instagram de indicações literárias:

Leitor - Guilherme Mendes - Metanfetaedro - Instagram

Muito obrigada pelo carinho, Tânia e Guilherme!

E você, já tomou sua dose de Metanfetaedro?

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O “cadáver decomposto”

Um dos livros que estou lendo esse mês é o História da Morte no Ocidente – Da Idade Média ao nossos dias, de Philippe Ariès, tradução de Priscila Viana de Siqueira. O texto original é de 1977. Essa é a versão de bolso da Saraiva, publicada em 2012. No segundo capítulo, intitulado II. A morte de si mesmo, deparei-me com um trecho interessantíssimo sobre o corpo decomposto, que – por dialogar com visuais, texturas e significados que ando explorando em minha arte – reproduzo abaixo:

Ilustração em preto e branco de Alliah baseada em Vesalius.
Ilustração minha baseada em Vesalius.

3. O “cadáver decomposto”

O terceiro fenômeno que proponho à reflexão dos leitores surge no mesmo momento das artes moriendi: trata-se do aparecimento do cadáver chamado “o cadáver decomposto”, “a carniça”, na arte e na literatura.

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Arte com pólen

No detalhe de uma cena do conto Contemplafantasiação, integrante do meu livro Metanfetaedro, a personagem-narradora desenha esboços tridimensionais no ar com pólen. É uma visão delicada, efêmera, solar. Dia desses assisti o vídeo abaixo, que mostra o artista Wolfgang Laib recolhendo pacientemente quantidades enormes de pólen, armazenando-o em potes e então criando uma expressiva instalação com o material. Dêem uma olhada. O vídeo é do canal do MoMA, o Museu de Arte Moderna.

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