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Mês: setembro 2012

Estou na coletânea “É assim que o mundo acaba”, da Editora Oito e Meio

Ontem saiu a lista de selecionados para a coletânea É assim que o mundo acaba, da editora carioca Oito e Meio. Os 11 escritores escolhidos vão dividir o livro com 10 escritores convidados, que são: André de Leones, Victor Paes, Claudia Nina, Leonardo Villa-Forte, Augusto Guimaraens, Botika, Rodrigo Rosp, Juliana Amato, Cesar Cardoso e Rafael Sperling.

Eu estou entre os escritores selecionados com o conto Castelos de salitre são mais bastardos que o Mesmo do elevador. Sim, é aquele Mesmo da plaquinha. E sim, eu juro que esse título vai fazer sentido dentro da história.

Lá em Maio, quando saiu a chamada para a coletânea, o que capturou minha atenção (além dos nomes dos autores convidados, já que seria ótimo compartilhar uma publicação com eles) foi a proposta, que abordava o fim do mundo de maneira diferente. No post diz: “Não se buscará a hecatombe pirotécnica de Hollywood, mas uma visão mais intimista e literária sobre o tema. Em termos cinematográficos, estaria mais para Melancolia de Lars Von Trier do que para O Dia Depois do Amanhã.

Eu estava trabalhando em alguns textos bem pirotécnicos na época e, de certa forma, estou sempre escrevendo algo barulhento assim, então curti a ideia de mudar os acordes. É interessante dizer também que essa é minha primeira publicação que sai por uma editora que não é focada em literatura fantástica. Meu conto puxa pra FC soft e um pouco pro weird, mas os elementos fantásticos estão ali à serviço dos pensamentos e dramas da narradora-personagem.

Bem, o lançamento da coletânea já tem mês certo, vai rolar em Dezembro, no Rio. E se o mundo acabar mesmo, onde melhor do que num evento literário? (Okay, eu consigo pensar em trocentas situações melhores, metade delas incluindo álcool e sexo, mas vamos ficar com a poética literária da coisa, beleza?).

O que mais andou acontecendo por aí…

♦ A Carolina Mancini, do blog Respirando Arte, fez uma longa e detalhada resenha da coletânea Paradigmas Definitivos, da Tarja Editorial. Sobre o meu conto, Moleque, ela diz:

Já li outros contos desta autora em antologias que, inclusive, resenhei , são elas “Cursed City” e “Deus Ex Machina”. E quando me debrucei sobre “Moleque”, fiquei muito surpresa com o que li. Neste conto Alliah conseguiu unir com perfeição sua grande criatividade e construção ornamentada junto aos mais profundos sentimentos (e gigantescos erros) humanos. Ela construiu dois cenários surreais, profundos, escrotos e fétidos, junto à personagens fantásticos feito alegorias dantescas, desprovidos de suas máscara míticas e véus oníricos, e entregues à imundice física ou corrupta. E tudo isto acompanhando pela perda da inocência. Um conto de se aplaudir.

♦ A Carolina também está fazendo uma promoção no blog. O ganhador leva um exemplar da Paradigmas Definitivos. Vai lá participar!

♦ Escrevi um artigo para o Páginas Noturnas, site de literatura editado pelo Eric Novello, falando sobre a (in)existência do SciFi Strange. Já ouviu falar nesse subgênero? Aqui um pedacinho:

O termo foi inventado pelo escritor americano Jason Sanford, em 2009, num pequeno post em seu blog pessoal, intitulado The Noticing of SciFi Strange. Jason começa o texto avisando que aquilo não é um manifesto, mas apenas uma observação. O autor cita um tuíte de Gareth L. Powell que diz: “Nós já tivemos o New Weird e o Steampunk. Qual será a “próxima grande sensação” na ficção científica?”. E Jason responde afirmando que a “próxima grande sensação” já está acontecendo, e que nós apenas não temos um nome para ela. Resumindo, ele define o SciFi Strange como uma ficção que bebe na fonte da New Wave (a FC soft dos anos 60 e 70) e usa o experimentalismo tanto na forma quanto no contéudo, mas mantendo o caráter de especulação científica, sem cair na fantasia.

O artigo é cheio de referências e sugestões de leitura. Você pode marcar o post e visitar futuramente para ler alguma das histórias linkadas (todas disponíveis online). Só tem ficção excelente, isso eu garanto.

That’s all folks.

Até mais e obrigada pelos peixes!

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Ideias sobre poliamorismo na vida e na literatura

Já comentei pelo Twitter e pelo Facebook que tenho vontade de organizar uma coletânea de ficção (não necessariamente fantástica) com a temática do poliamor. No meu otimismo, acredito que lá pelo segundo semestre do ano que vem ela possa começar a acontecer. Vai depender da minha habilidade de me guiar no meio desse caos em que me encontro. Até lá, ando lendo bastante sobre o assunto e buscando novas visões, principalmente de gente que vive algum tipo de relação poliamorista. E entre essas leituras, destaco uma excelente série de artigos do site Modern Poly, que trata do poliamorismo em relação com outros temas como raça, identidades de gênero e/ou sexualidade queer, religião e pensamento político:

Poly and Asian
Poly and Boricua
Poly and Black
Poly and Gender
Poly and Genderqueer
Poly and Catholic
Poly and Jewish
Poly and Chicana
Poly and Skepticism
Poly and Gender Nonconformist
Poly and Anarcho-Communist

Como dá pra ver, tem de tudo um pouco. Relações pra todos os gostos. Se você é escritor, dê uma lida nesses artigos, pra desintoxicar um pouco a mente do panorama pré-concebido de putaria orgiástica satânica que a maioria das pessoas têm quando se fala em poliamor. Porque nas mãos do senso comum esse acaba sendo um dos grandes problemas na hora de escrever sobre uma relação que envolva mais de duas pessoas. Sabe aquele personagem gay de novela que é carnavalesco, afetadíssimo e só aparece pra servir de bobo da corte? E aquele personagem que pratica BDSM porque sofreu algum abuso na infância e ficou com um tremendo de um trauma violento? E o bissexual que na verdade é um indeciso enrustido? Esses lugares-comuns preconceituosos distorcem a realidade e só fazem contribuir pra mais discriminação. Dá pra contar nos dedos quantas vezes eu li algo que tratava de relações poliamoristas sem cair nesses erros. Ou sem que a história focasse exclusivamente na vida sexual dos personagens. Falar de sexualidade não é falar só do ato sexual. Aliás, algo que penso em fazer na coletânea é focar menos no sexo e mais nas questões sociais e familiares que uma vida poliamorista enfrenta. Por exemplo, como seria a infância de uma criança numa família composta por três pais e uma mãe?

E falando em família, recentemente o Brasil ganhou as manchetes do mundo inteiro com a formalização de uma união civil de três pessoas, em São Paulo. Depois que baixar a polêmica do casamento gay, será a vez das uniões poliamoristas. Mas como bem disse uma das mulheres da união a três, eles não inventaram nada, apenas oficializaram algo que já existia. Isso é uma questão central. Poliamorismo não nasceu ontem, nem foi invenção da modernidade. Muito pelo contrário, taí pelo mundo desde antes da instituição do casamento tradicional. Deal with it.

Notas:

1. Ah, mas eu não conheço quase nada de poliamorismo e ando sem paciência pra ler trocentos artigos. Então escute o podcast Polyamory Weekly. (Grande dica do Eric Novello). Recomendo especialmente o episódio 50 Shades of Wrong, que destrincha de maneira hilária os erros da famosa trilogia de pornô pra mamães.

2. Na literatura fantástica nacional, um romance que possui relações poliamoristas bem escritas (e com protagonistas) é o Crônicas de Atlântida – O tabuleiro dos deuses, do Antonio Luiz M.C. Costa, pela Editora Draco. Vale a pena conferir.

3. O novo número da revista de arte e literatura Side B Magazine vem com o título de Sex, Gender & Sexuality. Dentre as 40 páginas, destaco um ótimo artigo sobre Adrienne Rich, premiada poeta e ensaísta feminista que faleceu em Março desse ano. A edição digital custa apenas 2 dólares.

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Em memória de um amigo

Faz um ano que um amigo muito querido se foi de maneira violenta e injusta. Mas não quero entrar na discussão do que houve. Quero apenas preservar uma memória. Arthur, o anarcopunk mais doce que já conheci. E esse período de um ano passou tão rápido, inquieto e conturbado que mal notei. Parece que foi ontem que a gente dividiu uma cerveja no espaço entre as aulas.

Gostaria de ter tido tempo de atender ao seu pedido de escrever um roteiro pra você filmar. Só que o acaso foi um tremendo de um filho da puta. Deixo então um simples desenho pra fixar seu rosto aqui, preto no branco como as roupas que você sempre usava.

Saudades incalculáveis.

As fotos abaixo são de 7 de Junho de 2011, dia do meu aniversário de 20 anos. Uma pequena comemoração após a aula de Psicologia da Educação no campus da Praia Vermelha/UFRJ.

Um brinde, amigo!

E pode deixar, ainda não desisti da revolução.

Já que somos todos ignorantes, enlouqueçamos, pois.

– Cláudio Tovar

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