Leituras de Janeiro/2017

Estou recuperando o ritmo de leitura de literatura que eu havia perdido desde meados de 2014 e estou bem feliz. Nesse janeiro de 2017 eu consegui não só me concentrar nos textos, mas me divertir e me satisfazer com eles–diferente do ano passado quando eu me arrastava por várias leituras fragmentadas e não-concluídas enquanto devorava quadrinhos e nada grudava muito tempo na memória.

Vamos à lista.

Não sou de fazer resenhas porque não gosto de escrever sobre uma obra tendo que me preocupar em não dar spoilers. Nos próximos dias postarei notas e observações sobre algumas das leituras.

O link do Goodreads vai te levar até a página do livro na minha estante do Goodreads, onde às vezes eu posto breves comentários e, ao final, sempre dou um número X/5 de estrelas para o livro.

Livros de ficção

> A Casa de Vidro (As Estações #1), de Anna Fagundes Martino. Novela. 78 páginas. Publicado por Dame Blanche, 2016. [Goodreads]
> Beleza Perdida, de Amy Harmon. Traduzido por Monique D’Orazio. Romance. 332 páginas. Publicado por Verus, 2015. [Goodreads]
> Trasgo #12, org. Clara Madrigano. Várias autoras. Revista de contos. 103 páginas. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]
> Gutshot, de Amelia Gray. Livro de contos. 224 páginas. Publicado por FSG Originals, 2015. [Goodreads]
> A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli. Romance. 176 páginas. Publicado por Companhia das Letras, 2014. [Goodreads]
> Stone Butch Blues, por Leslie Feinberg. Romance. 386 páginas. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]

Abandonado:
> Biofobia, de Santiago Nazarian. Romance. Publicado por Record, 2014. Larguei lá pelos 20% achando o protagonista babaca demais e a prosa um monte de boas oportunidades desperdiçadas por clichês.

Comecei a ler em janeiro e ainda não terminei:
> Everything Change: An Anthology of Climate Fiction, org. Manjana Milkoreit, Meredith Martinez e Joey Eschrich. Vários autores. Livro de contos. Publicado por ASU Imagination and Climate Futures Initiative, 2016. Disponível gratuitamente aqui. [Goodreads]

Contos disponíveis online

> When She Comes, de Onu-Okpara Chiamaka. Publicado na Apex Magazine, 2016.
> Hungry Daughters of Starving Mothers, de Alyssa Wong. Publicado na Nightmare Magazine, 2015.
> The Flesh Interface, de Mother Horse Eyes. Publicado na Terraform, 2016.
> The Lady of the House of Love, de Angela Carter. Publicado na Recommended Reading da Electric Lit, 2015.

Quadrinhos

> Supergirl: Being Super. #1. Texto de Mariko Tamaki e arte de Joëlle Jones.
> Wonder Woman (Rebirth). #5-#15. Texto de Greg Rucka e arte de Liam Sharp (#5, #7, #9, #11, #15), Nicola Scott (#6, #10, #12, #14), Bilquis Evely (#8) e Renato Guedes (#13).
> Superman (Rebirth). #1-#5. Texto de Peter J. Tomasi e arte de Mick Gray (#1-#4), Patrick Gleason (#1-#4),  Jaime Mendoza (#5) e Doug Mahnke (#5).

Livros de não-ficção

> The Brexit Crisis: A Verso Report. Vários autores. Livro de ensaios. 187 páginas. Publicado por Verso, 2016. [Goodreads]
> Por que gritamos Golpe?: Para entender o impeachment e a crise política no Brasil (Coleção Tinta Vermelha), org. Ivana Jinkings, Kim Doria e Murilo Cleto. Vários autores. Livro de ensaios. 176 páginas. Publicado por Boitempo, 2016. [Goodreads]
> Men Explain Things to Me, de Rebecca Solnit. Livro de ensaios. 130 páginas. Publicado por Haymarket Books, 2014. [Goodreads]
> Smarter Than Us: The Rise of Machine Intelligence, de Stuart Armstrong. Livreto. 53 páginas. Publicado por Machine Intelligence Research Institute, 2014. [Goodreads]
> Emergência – Este livro pode Salvar sua Vida, de Neil Strauss. Traduzido por Bruno Casotti. Livro jornalístico/Guia de sobrevivência. 396 páginas. Publicado por Best Seller, 2011. [Goodreads]
> Post-Scarcity Anarchism, de Murray Bookchin. Livro de ensaios. 308 páginas. Publicado por Black Rose Books, 1986. [Goodreads]

Comecei a ler em janeiro e ainda não terminei:
> Molecular Red: Theory for the Anthropocene, de Kenneth McKenzie Wark. Publicado por Verso, 2015. [Goodreads]
> 10 Dias Que Abalaram o Mundo, de John Reed. Publicado por Penguin-Companhia, 2010. [Goodreads]

Outras leituras

Seleção dos melhores artigos em revistas/jornais e posts em blogs que li durante o mês

Português:
> ‘Despreparo do homem heterossexual branco para lidar com fracasso o leva à violência’, entrevista com Eric Madfis por André Cabette Fábio. Publicado no Nexo em 8 de janeiro, 2017.
> A revolução brasileira de Antonio Callado, por Camilo Rocha. Publicado no Nexo em 10 de janeiro, 2017.
> Documentos da Cruz Vermelha revelam massacre de indígenas na ditadura, por Jamil Chade. Publicado na Agência Pública em 24 de outubro, 2016.

Inglês:
> The Shame of Work: Review of “The Refusal of Work: The Theory and Practice of Resistance to Work”, by David Frayne. Artigo de John Danaher. Publicado no The New Rambler em 14 de novembro, 2016.
> A Smuggling Operation: John Berger’s Theory of Art, por Robert Minto. Publicado no Los Angeles Review of Books em 2 de janeiro, 2017.
> The Spiritual Crisis of the Modern Economy: The main source of meaning in American life is a meritocratic competition that makes those who struggle feel inferior, por Victor Tan Chen. Publicado no The Atlantic em 21 de dezembro, 2016.
> M. Lamar on being your own genre, entrevista por T. Cole Rachel. Publicado no The Creative Independent em 13 de janeiro, 2017.
> I Can’t Save My Son From The Anxiety I’ve Passed On To Him, de Kevin Wilson. Publicado no Buzzfeed em 23 de janeiro, 2017.
> An Open Letter to My Sister, Miss Angela Davis, por James Baldwin. Publicado no The New York Review of Books em 7 de janeiro, 1971.
> Beyond Walking and Talking: A Post-March Postmortem with Portland Women’s March Organizer Margaret Jacobsen, entrevista por Andi Zeisler. Publicado na Bitch em 25 de janeiro, 2017.
> I’m Trying to Wreck Your Mind, That’s All, por Stacy Szymaszek. Publicado na Poetry Foundation em 16 de janeiro, 2017.
> The Full Text of ‘Bad Feminist’ Author Roxane Gay’s WI12 Speech. Transcrição da palestra de Roxane Gay, publicada na Publishers Weekly em 31 de janeiro, 2017.

Não sei como consegui ler isso tudo ao mesmo tempo em que li 80 quilômetros de fanfic (muita coisa de Lena/Kara e algumas de Root/Shaw), sem falar na horda de newsletters que eu assino. Também passei um bom tempo na Stanford Encyclopedia of Philosophy lendo sobre estética e existencialismo.

Para fevereiro as leituras que tenho planejadas são textos sobre violência (que marquei nessa tag no Goodreads). Pesquisa para um livro que estou escrevendo. Se você tiver recomendações sobre material de leitura ou vídeos sobre o tema, me manda lá no twitter.

Participando do Inktober 2016

Esse ano marca minha primeira participação no Inktober, evento criado pelo ilustrador Jake Parker e que reúne artistas do mundo inteiro para fazer um desenho/pintura por dia com tinta durante o mês de Outubro.

Eu tava há tanto tempo sem pegar nos meus materiais de arte que achei um potinho de nanquim que venceu em 2014. (Ilustrar foi mais uma das áreas descarrilhadas por minha saúde mental aloprada nos últimos anos). As canetas da Uni Pin de nanquim, porém, continuavam boas e macias, amém. Tô fazendo tudo com elas (tamanhos 0.1, 0.4 e 0.8, uma restrição técnica que me faz tomar decisões mais rápidas na hora de compor o que quero desenhar). Até agora tenho dez artes, então tô atrasado no calendário. Mas tudo bem. Tô desenhando e pintando todo dia–e esse é o objetivo do Inktober: manter a prática, criar o hábito, desenvolver seus músculos de rabisco.

Fazer uma ilustração completa por dia, mesmo composições simples e pequenas (tô usando papel creme 200g/m² em tamanho A5), requer planejamento, dedicação e disciplina. Não é à toa que voltei à minha rotina de dormir cedo e acordar cedo, que em consequência melhora meu humor e meu estado físico, que me deixa mais disposto a trabalhar e por aí vai, uma cordinha da alegria puxando a outra.

Estou postando minhas artes do Inktober no tumblr Alliah Draws e nessa thread no Twitter. Se você curtir os desenhos, compartilhe, reblogue, retuíte. É uma daquelas pequenas generosidades que qualquer pessoa pode fazer para apoiar um artista que gosta.

E estou disponível para trabalhos de ilustração. Só entrar em contato. 🙂

Desenho e Allliah para o Inktober 2016 - Dia 5.

Desenho do dia 5. Inktober 2016.

Conto “Curvas batimétricas e outros afetos”, publicado no NUPE

A galere linda do blog Nem Um Pouco Épico publicou Curvas Batimétricas E Outros Afetos, um conto que escrevi para o especial sobre relacionamentos que eles tão fazendo esse mês.

Um trecho:

Era manhã cedo de segunda-feira quando Agni me encontrou ainda de pijamas chorando no sofá da sala.

Ela tinha acabado de voltar de uma corrida, uma visão sempre deslumbrante, sua camiseta grudada no top com o suor brilhando sobre a pele, seus cabelos crespos amarrados no topo da cabeça e o Fitbit Surge abóbora disputando o centro de atenção com o Adidas verde-água. Em dois segundos, ela estava ajoelhada na minha frente, com meu rosto entre suas mãos, enxugando as lágrimas e perguntando o que tinha acontecido. Eu tentei explicar sobre a garrafa branca de 42 Below que alguém da Matilha (nosso grupo de amigos que costumava morar junto – é uma longa história que conto noutra newsletter) deve ter esquecido da festa de ontem, e como eu deveria ter sido capaz de me livrar da vodka sem maiores problemas, mas os dois dedos de bebida restantes visíveis dentro da garrafa me sugaram para um buraco negro de memórias pré-sobriedade e eu tive um ataque de pânico e “não precisa se justificar”, ela me acalmou.

Agni pegou a garrafa, andou até a área de serviço e arremessou a 42 Below pela janela. Eu só ouvi o barulho do vidro se espatifando contra a parede de concreto do prédio vizinho, que está com a construção interditada, e os cachorros da vizinhança largarem a latir numa reação em cadeia.

“Cê podia ter só esvaziado a garrafa na pia”, comentei fungando quando ela voltou triunfante e Agni deu de ombros dizendo que assim ela exorcizava os demônios do apartamento.

A gente vai precisar quebrar a louça toda, pensei. E desatei a rir sozinha até ela me apertar num abraço melecado de suor dizendo que eu precisava de transferência de calor humano (ou um incentivo para tomarmos banho juntas) e me inundar de conforto com um sorriso iluminado.

Leia o conto inteiro no blog.

E se você curte mixtapes, eu fiz uma para cada personagem: Ísis, Agni e Lira/Jake.

O NUPE também já publicou outros dois contos, Status De Relacionamento: Enrolados de Lavínia Rocha, e Conexões de Sofia Soter. Bora seguir que eles vão postar mais histórias! 😀

Minha Lista de Leituras Para a Maratona Literária de Inverno 2015

Nunca fui de participar de maratonas literárias. Mal tenho noção da quantidade de livros que leio—às vezes quase nada, às vezes me afogo. Quando eu ainda tinha Skoob, catalogava os volumes por lá. Já abandonei a rede tem algum tempo—muito spam, interface bugada, sociabilidade ineficiente. Mas curto falar pelas interwebz das leituras que me empolgaram e faço isso pelas esquinas do Twitter e através de posts espalhados e não muito organizados. Agora que estabeleci essa nuvem como cenário dos meus hábitos literários, resolvi que tentar dar aquela entropizada e injetar ordem nem que seja por um mês poderia ser divertido. Daí aderi à Maratona Literária de Inverno desse ano e estou seguindo exatamente: zero regras (que estão explicadas aqui). Mas como o núcleo da maratona é ler mais do que o seu costume, fiz uma listinha com mais livros de ficção porque ando lendo muita não-ficção.

Vamos à lista: Continuar lendo

Fazendo um jogo no Twine em 10 dias

Se você me lê no blog Amanhã Não Vai Existir, cê sabe que eu tenho interesse em ficção interativa, texto digital, jogos baseados em texto, e todas as intersecções desses formatos e suas ferramentas. Tenho uma pasta chamada Twine no meu Evernote onde eu anoto ideias soltas para jogos curtos, ficções que só poderiam funcionar como texto digital, como narrativa interativa, tipografia viva, animada, carregada de energia potencial. Mas eu fico nessa de rabiscar ideias e a coisa nunca descola do talvez-algum-dia-quem-sabe. Então quando o Gumroad anunciou que faria um desafio de brainstormar, criar, e lançar um produto em 10 dias, eu pulei no barco de espada em punho gritando AYE AYE CAPTAIN.

Para quem não conhece, o Gumroad é um site que te dá espaço e ferramentas para vender seus produtos (físicos e digitais) através dele (que fica com uma pequena porcentagem das vendas). A vantagem é que o sistema deles nos oferece uma série de recursos sem cobrar a mais por isso: podemos editar landing pages, perfis, configurar emails automáticos para seguidores e/ou clientes (uma parada que é muito eficiente para converter e que pra usar em serviços como o Mailchimp, por exemplo, temos que pagar).

O nome do desafio é Small Product Lab. Continuar lendo

O Tempo de Validade do Texto & o Ponto de Silêncio

Desde 28 de Dezembro de 2014 que eu quero escrever sobre Leelah Alcorn. E dia após dia eu não consigo digitar nem uma letra sequer sobre o assunto. São 161 dias de tentativas fracassadas. São 161 dias de querer contribuir para a conversação em torno da dor de jovens trans com palavras de valor que realizariam parte do que Leelah desejou em sua última nota. São 161 dias de não conseguir apagar da cabeça a brutalidade do ato, a violência do choque de um caminhão contra o corpo de uma adolescente.

Esse texto não é um texto sobre Leelah Alcorn. Também não é um texto sobre querer escrever um texto sobre Leelah Alcorn. Esse texto é sobre o tempo de validade que carimbamos em determinados assuntos e sobre nossa necessidade ignorada de deixar essa data artificial se desintegrar sozinha. Porque às vezes precisamos tomar conta de nós mesmos em nossos momentos de silêncio antes de sair às ruas digitais do ativismo com argumentos erguidos. Porque existe um abuso pernicioso que nem todo mundo percebe que sofre, nem todo mundo percebe que comete; Continuar lendo